O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, enalteceu este sábado a "unanimidade" em Portugal face a eventuais sanções de Bruxelas por défice excessivo e, neste ponto, defendeu os executivos de Passos Coelho e António Costa.

"O bom senso imporia que não se aplicasse sanção nenhuma ao Governo de Passos Coelho, que não merece, e não aplicar sanção nenhuma ao Governo de António Costa que, na pior das hipóteses, ainda não merece, e na melhor das hipóteses nunca merecerá", vincou o chefe de Estado.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas na ilha do Porto Santo, naquele que é o último de três dias de visita à região autónoma da Madeira, e comentava eventuais sanções da Comissão Europeia a Portugal por défice excessivo.

No que se refere ao Governo PSD/CDS-PP liderado pelo social-democrata Pedro Passos Coelho, Marcelo advoga que se executivo houve "que teve atenção em acompanhar o que a Europa queria, foi o Governo de Passos Coelho".

"O país (…) fez tudo para sair da crise", prosseguiu Marcelo, e uma segunda eventual justificação de sanções, mais em torno de "aviso" ao país para o futuro, seria também injusta, prosseguiu o Presidente.

"Os números de execução do primeiro trimestre mostram uma melhoria face ao ano passado, e o que se sabe de maio é ainda melhor."

As declarações surgem em reação às palavras do vice-presidente da Comissão Europeia responsável pela pasta do Euro, Valdis Dombrovskis, que, numa entrevista ao Der Spiegel, sugeriu que os fundos estruturais para Espanha e Portugal poderão ser congelados.

Valdis Dombrovskis defendeu que "se a Comissão Europeia e o Conselho Europeu decidirem que Portugal e Espanha falharam objetivos, a Comissão irá propor, entre outras medidas, que os fundos estruturais sejam congelados para os dois países".

Os comissários da União Europeia reúnem-se na terça-feira para debater a questão das sanções e devem tomar uma decisão em consenso.