O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, considerou uma "boa notícia" os números do défice orçamental, conhecidos esta quinta-feira, mas avisou que "o trabalho tem de continuar" até ao final do ano.

"Tudo o que seja reduzir o défice é uma boa notícia, agora, é um trabalho para continuar até ao fim do ano, porque estamos a comparar com o ano anterior", afirmou aos jornalistas, durante uma visita à secular Feira de S. Mateus, em Viseu.

O défice orçamental, registado em contas públicas, atingiu os 4.980,6 milhões de euros até julho, uma melhoria de 542,8 milhões de euros face ao mesmo período do ano passado, de acordo com a Direção-Geral do Orçamento.

"O ano anterior, segundo a Comissão Europeia, teríamos tido 3,2%, temos de baixar para 2,5%, portanto acho que é uma boa notícia ir contraindo o défice em julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro", afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, fazendo votos para que isso aconteça.

O PSD acusou o Governo de mascarar os números da execução orçamental ao cortar no investimento público e aumentar os pagamentos em atraso, sendo esta a receita para "fazer com que a despesa pareça ser menor".

O Presidente da República discordou desta leitura, considerando que o que se passa é que "o Governo decidiu cativar uma série de verbas".

"Eu acho que essa cativação vai ser convertida em definitiva, vai haver um corte definitivo. Portanto, quando a oposição diz que provavelmente a cativação é uma dissimulação, eu percebo o ponto de vista, porque acha que o Governo ainda vai gastar", referiu.

Para Marcelo Rebelo de Sousa, "o Governo não tem margem para gastar, portanto, a cativação converte-se em corte definitivo".