O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu esta sexta-feira que se devem distinguir as verdadeiras preocupações sobre Portugal de "formas de pressão", nomeadamente internacionais, antes de decisões sobre as finanças do país.

"Cada um escolhe aquilo que o preocupa. Faz parte da natureza humana às vezes ter preocupações estranhas ou inesperadas. Mas temos de respeitar a preocupação de cada qual", disse o chefe de Estado, que falava aos jornalistas no Funchal, Madeira.

Marcelo foi questionado pelos jornalistas sobre declarações desta sexta-feira de Klaus Regling, presidente do Mecanismo Europeu de Estabilidade, que demonstrou preocupação pela situação financeira de Portugal.

O chefe de Estado lembrou que pode estar por dias a decisão europeia sobre eventuais sanções a Portugal por défice excessivo, e em vésperas de decisões desse género - "seja com este Governo ou com o anterior", do PSD e CDS-PP - é comum haver comentários sobre a situação portuguesa.

De todo o modo, Marcelo recomenda que os responsáveis políticos e económicos se preocupem "na altura devida" e "com aquilo que merece ser objeto de preocupação".

O responsável pelo Mecanismo de Estabilidade Europeu, Klaus Regling, afirmou ao semanário alemão WirtschaftsWoche que Portugal é o único país com que está preocupado, independentemente do brexit.

"O governo (português) está a recuar nas reformas ... Portugal está a tornar-se menos competitivo outra vez como resultado disto", referiu Regling.

 

"A falta de competitividade foi uma razão importante para a crise em Portugal", adiantou.