O Presidente da República afirmou que “é muito importante” que a Alemanha compreenda os esforços e os sacrifícios feitos por Portugal para cumprir os compromissos europeus, reiterando que a aplicação de sanções devido ao défice seria “injusta”.

Quer os partidos da área do governo, quer os partidos da área da oposição, estiveram de acordo quanto a isto: os portugueses fizeram sacrifícios no sentido de se cumprirem os compromissos europeus. A governação anterior seguiu o mais à risca que entendeu que deveria seguir aquilo que eram esses compromissos. Há uma unanimidade enquanto a entender que a sanção neste contexto, por estas e outras razões, parece injusta".

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou ainda que, para já, “a execução orçamental não dá razões para preocupação”, considerando mesmo que os números de abril, já na aplicação do Orçamento de Estado de 2016, constituem um “sucesso apreciável”.

A execução orçamental, em relação a abril, não dá razões para preocupação", garantiu. 

Em declarações aos jornalistas pouco após chegar à Alemanha, para uma visita oficial de dois dias, durante a qual se reunirá com a chanceler alemã, Marcelo Rebelo de Sousa, questionado sobre alegadas divergências relativamente às previsões económicos do Governo e necessidade de um eventual orçamento retificativo - e com o ministro dos Negócios Estrangeiros e "número dois" do Governo, Augusto Santos Silva, a seu lado -, sublinhou que, “da ótica da execução orçamental”, um ponto que deverá de resto abordar com Angela Merkel, “as notícias a dar são notícias boas”.

"Alemanha é um parceiro económico muito importante de Portugal"

O Presidente da República admitiu ainda que a estabilidade do sistema financeiro português deverá “vir à baila” na reunião de segunda-feira com a chanceler alemã, até porque é uma questão “também importante para a Alemanha”.

Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que “um ponto que inevitavelmente poderá vir à baila é o da importância da estabilidade do sistema financeiro”, e designadamente o seu "reforço contínuo", sem referir de forma específica os “dossiês” da capitalização da Caixa Geral de Depósitos e o processo de venda do Nova Banco.

“Nós não podemos esquecer que a Alemanha é neste momento um parceiro económico muito importante de Portugal. Nós estamos perante o terceiro destino das nossas exportações, o segundo grande fornecedor da economia portuguesa e um grande investidor direto em Portugal. Portanto, quem é que está interessado na estabilidade do sistema financeiro português? A Alemanha”, disse.

Sustentando que se trata de “uma realidade importante para Portugal mas também para a Alemanha”, o chefe de Estado admitiu que vai “naturalmente explicar que o reforço contínuo do sistema financeiro é bom para Portugal, mas é muito bom para um parceiro que tem tantas ligações à economia portuguesa”.

O Presidente da República chegou este domingo a Berlim para uma vista oficial de dois dias, que tem como objetivo fundamental sensibilizar as autoridades alemãs para a “injustiça” que representaria a aplicação de sanções a Portugal devido ao défice.