Os trabalhadores de várias lojas do Pingo Doce voltaram a protestar contra os horários praticados e os processos disciplinares levantados e prometeram levar o assunto à Autoridade para as Condições de Trabalho se não houver alterações.

Já a 11 de setembro duas dezenas de trabalhadores concentraram-se frente à loja da Prelada, no Porto, em protesto contra o que disseram ser «atropelos e ameaças» da empresa aos seus direitos, nomeadamente quanto a horários e processos disciplinares.

Hoje foi a vez de a loja de Vila Nova de Gaia - «a mais central do Norte» e «onde está alguma da administração» - ser alvo de protesto de mais de 20 empregados que, desta forma, quiseram ver se as queixas «chegam aos patrões» sobre os quais, dizem, «nem querem reunir com os trabalhadores nem saber dos problemas», contou à Lusa Natália Pinto.

A dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), responsável pela organização dos protestos, denunciou que há «horários praticados à noite como se fossem em horário normal».

No início de setembro explicou que os horários dos trabalhadores, embora rotativos, eram determinados «em função da hora de abertura e fecho das lojas», mas desde há algum tempo que os funcionários são convocados para trabalhar «a partir das cinco ou seis horas da manhã, das três da tarde à meia-noite ou mesmo durante a noite, mesmo não tendo transportes» para chegar ao local de trabalho.

Reiterou hoje que tais situações não têm sido remuneradas enquanto horário noturno pelo que, caso não haja mudanças «e se for preciso», os trabalhadores irão «chamar a inspeção de trabalho».

Acrescentou que os trabalhadores têm sido avaliados com base no «número de vendas sugestivas» e que têm sido formalizados processos disciplinares contra trabalhadores a quem falta dinheiro em caixa, vendo assim inviabilizado o «prémio anual» de 250 euros prometido pela empresa.

Contactada pela Lusa após o primeiro protesto de dia 11, fonte oficial do Pingo Doce refutou «de forma veemente as acusações de pressão e intimidação sobre os seus colaboradores» e garantiu que a empresa se rege «por princípios firmes de respeito pelos direitos dos seus colaboradores, conforme Código de Conduta em vigor».

«Tais princípios aplicam-se em todas as vertentes da relação laboral e nomeadamente, no que se refere à gestão de horários de trabalho, em observância da lei aplicável», assinalou então.

A mesma fonte referia ainda, em nota enviada à Lusa, que a empresa tem vindo «a aumentar o salário mínimo dos colaboradores das lojas e dos centros de distribuição em Portugal que, em todos os casos, é acima do salário mínimo nacional».

Novo protesto está marcado para dia 30 frente ao Pingo Doce de S. Gens, em Matosinhos, loja que, disse a sindicalista, «também tem muitos problemas», como reporta a Lusa.