O Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Correios e Telecomunicações (SNTCT) assegurou que as ações de luta para exigir a reversão da privatização dos CTT vão continuar, após uma manifestação com uma adesão “muito significativa” em Lisboa.

“Vão continuar as ações de luta, vão continuar as reuniões com as juntas de freguesia, com as câmaras municipais, com a Anafre [Associação Nacional de Freguesias], com a Associação Nacional de Municípios, com as organizações de utentes – locais e nacionais – e, obviamente, que a continuação da luta passa também pelo interior dos CTT e pelos seus trabalhadores”, disse à agência Lusa o secretário-geral do SNTCT, Victor Narciso.

Esta tarde, trabalhadores dos Correios, bem como utentes e autarcas (de juntas de freguesia e câmaras municipais) de todo o país juntaram-se em Lisboa, numa manifestação que se iniciou pelas 15:30 na praça do Marquês de Pombal e rumou à residência oficial do primeiro-ministro, António Costa, em São Bento, terminando quase duas horas depois.

De acordo com Victor Narciso, “à volta de 3.500 pessoas estiveram nesta manifestação”, número que classificou como “muito significativo”.

No início da manifestação, Victor Narciso tinha apontado para um total de cerca de 2.000 pessoas, enquanto a polícia estimou cerca de 1.500.

“Os autarcas e as populações que aqui estavam, em menor número [do que os trabalhadores] como é evidente, têm objetivos comuns com os sindicatos e os trabalhadores dos CTT por causa da defesa do serviço público e universal de correios”, notou, precisando que na manifestação se juntou gente de localidades como Trás-os-Montes, Viana do Castelo, Braga, Porto, Viseu, Castelo Branco, Guarda, Santarém, Leiria, Setúbal, Évora, Beja e Faro.

Estiveram também presentes os autarcas de Alpiarça, Loures e Seixal, entre outros.

“Só não veio gente das ilhas por razões económicas, ficava caro transportar essa gente”, assinalou.

A par desta manifestação, decorre uma greve de 24 horas dos trabalhadores dos CTT, iniciada à meia-noite de hoje.

Tais iniciativas de luta vão continuar por mais “três ou quatro meses”, segundo Victor Narciso, que apenas admitiu uma interrupção se “o Governo decidir pela reversão da privatização”.

Foi isso mesmo que o SNTCT, o Sindicato Democrático dos Trabalhadores das Comunicações e dos Media (SINDETELCO), o Sindicato Independente dos Correios de Portugal (SINCOR), o Sindicato Nacional Dos Trabalhadores Das Telecomunicações e Audiovisual (SINTAAV) e a Comissão de Trabalhadores exigiram na resolução que entregaram em São Bento, no final da manifestação.

“Considerando a degradação do serviço postal, que querem despedir pessoas, encerrar estações de correio, etc., defendemos que o serviço público universal de correios não é compatível que seja prestado por uma empresa que tem, neste momento, como objetivo o lucro, em relação a bancos e a serviços financeiros”, referiu Victor Narciso.

Para o representante, “isso só pode ser feito por alguém que não tenha interesses na bolsa e de dividendos e essa entidade é o Estado”.

Também presente na ocasião, o secretário-geral da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses (CGTP), Arménio Carlos, afirmou à Lusa estar ali “em solidariedade” com os funcionários da empresa.

“Estes trabalhadores estão a lutar pela manutenção dos postos de trabalho, mas não só, estão a lutar para a manutenção de um serviço público de qualidade, situação que não está a ocorrer”, adiantou Arménio Carlos.

Na origem dos protestos está o Plano de Transformação Operacional dos CTT, que foi apresentado pela empresa em dezembro e que prevê a redução de cerca de 800 trabalhadores na área das operações em três anos e a otimização da rede de lojas, através da conversão em postos de correio ou do fecho de lojas com pouca procura.