Já não bastava à Ryanair o problema com o cancelamento de milhares de voos e, agora, depara-se com um negócio que pode vir a prejudicar o seu. É que a alemã Lufthansa tem acordada a compra da unidade de lazer Niki da Air Berlin, bem como a aquisição de alguns aviões de curta distância. Ora, a Air Berlin entrou em insolvência em agosto e é uma rival da Ryanair.

A companhia aérea irlandesa acusou o governo alemão de estar a gerir uma "conspiração evidente" com aquelas duas outras companhias, para o grupo germânico adquirir ativos da sua rival e segunda maior companhia do país. Isto por estar a excluir or principais competidores e a ignorar, segundo a Ryanair, as regras das ajudas estatais.

A Ryanair fez mesmo uma denúncia à Comissão Europeia, alegando que o negócio é incompatível com as regras das ajudas públicas. Bruxelas está a analisar e tem até dois meses para o fazer. 

Ainda não há nenhum contrato assinado, mas "o acordo com a Lufthansa está pronto, há acordo", segundo uma fonte próxima do processo, citada pela Reuters, mas que não é identificada.

A Air Berlin vinha lutando para ter lucros na última década. Acabou por pedir insolvência a 15 de agosto. Foi um empréstimo do governo alemão que lhe permitiu manter os seus aviões no ar, enquanto negocia com potenciais compradores a venda de ativos. Os voos vão deixar de acontecer ainda este mês.

Para além da Lufthansa, e segundo a Reuters, há negociações a decorrer com a easyJet que tem discutido a aquisição de 27 a 30 aviões. Ainda não é certo, nem a companhia aérea britânica quis comentar. 

A unidade de logística da empresa alemã Zeitfracht fez, entretanto, uma nova oferta para a plataforma de comercialização de carga da Air Berlin e do seu negócio de manutenção.

Para além da Air Berlin, a comanhia aérea italiana Alitalia também está em maus lençóis, à procura de investidores. A britânica Monarch entrou mesmo em falência no início deste mês. A Ryanair, com os seus cancelamentos, junta-se à crise vivida atualmente pelas low-cost.