“O Governo nomeou um grupo de trabalho para criar esse consenso entre as entidades – Banco de Portugal, CMVM, Governo, Novo banco e BES mau -, que será o princípio de uma nova era”, disse à Lusa Ricardo Ângelo, na concentração de lesados do papel comercial do GES vendido aos balcões do Banco Espírito Santo (BES).

Em declarações à Lusa, o porta-voz dos lesados considerou positivo o passo dado pelo Governo liderado por António Costa, acrescentando que receberam a garantia de que será encontrada “uma solução justa e equitativa para as pessoas que foram expropriadas, num prazo máximo de quatro a cinco meses”.

“O Governo está empenhado na solução do problema”, defendeu Ricardo Ângelo, recusando-se revelar quem lidera e quem integra o referido grupo de trabalho, que irá “criar um molde que seja aceite por todos os intervenientes para chegar a uma solução”.

Ainda hoje, em assembleia geral, os lesados do BES vão escolher quem os vai representar nas negociações com o recém-criado grupo de trabalho, acrescentou o responsável.

“O objetivo [da reunião] é legitimar uma equipa da associação para representar os lesados nessas negociações”, disse, quando questionado sobre a agenda da assembleia geral.

Durante a concentração em frente à sede do Novo Banco, na Avenida da Liberdade, em Lisboa, Ricardo Ângelo realçou a “nova postura” dos lesados, que decidiram “dar o benefício da dúvida ao Governo e ao Novo Banco”.

“Mas caso haja algum entrave neste caminho que está a ser seguido, estamos dispostos a voltar a protestar na rua”, justificou.

Mais de uma centena de lesados do papel comercial do GES concentraram-se esta manhã em frente à sede do Novo Banco, onde fizeram a árvore de Natal com vários recados aos novos e antigos governantes.

Vindos sobretudo do norte do país, os lesados do papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES), vestidos com uma gabardina vermelha e chapéu de Pai Natal, trouxeram um pinheiro que colocaram no cruzamento da Avenida da Liberdade com a Barata Salgueiro.