O presidente da direção da Associação dos Indignados e Enganados do Papel Comercial (AIEPC) do Grupo Espírito Santo (GES) mostrou-se esta quinta-feira convicto de que o Governo vai encontrar até ao final de fevereiro uma solução para os lesados.

“O Governo do PS tem o mérito de conversar com as pessoas e só assim se consegue apreender a realidade. Existe boa vontade, que antes nunca houve, e que vai com certeza levar a um bom fim. Acreditamos que até ao fim deste mês isso vai ser possível”, afirmou Ricardo Ângelo, durante uma manifestação que começou esta manhã em Lisboa, em frente à sede do Novo Banco, junto à Avenida da Liberdade.

 

Ricardo Ângelo disse ainda que “nas últimas três semanas houve mais conversas com os lesados do que em mais de um ano com o anterior Governo”.

Os lesados acreditam que vão encontrar em breve uma solução também porque dizem contar com o apoio do Presidente da República eleito, Marcelo Rebelo de Sousa.

“Temos apoio do futuro Presidente e do Governo. Falta apenas boa vontade e assinar os papéis, pois estamos fartos de intenções”, comentou.

A manifestação de hoje - que a AIEPC classificou como a “maior de sempre” de lesados do GES - contou com a presença de centenas de pessoas, a maioria residente no norte do país.

“Este protesto é um ensaio ao que deverá acontecer caso o problema do papel comercial não seja resolvido e é uma forma de alertar os futuros compradores do Novo Banco, que serão com certeza espanhóis, para os protestos que vão marcar se avançarem com a compra” do banco, acrescentou.

Os manifestantes percorreram a avenida da Liberdade fazendo protestos junto à sede do Novo Banco e de vários bancos espanhóis que poderão estar interessados na compra da instituição, como o Santander Totta, o BBVA, La Caixa e Popular, percorrendo todas as agências na Avenida da Liberdade, na Rua Augusta e na Rua do Comércio, continuando o protesto novamente em direção à avenida de Liberdade.

Muitos manifestantes colaram autocolantes nos vidros das instituições bancárias, que diziam: “Novo comprador: Quem o Novo Banco comprar, a dívida vai ter de pagar”.

Desde que o Banco Espírito Santo (BES) foi alvo de uma medida de resolução, no verão de 2014, que clientes do retalho detentores de papel comercial do GES, que compraram os títulos aos balcões do BES, têm vindo a desenvolver várias ações com vista a recuperar o dinheiro investido.

De acordo com as informações recolhidas pela Lusa, são atualmente 2.040 os subscritores de papel comercial que reclamam cerca de 400 milhões de euros.