Terminou esta tarde o prazo para os lesados do BES comunicarem se queriam aderir ao acordo que permite a recuperação de parte do que perderam.

Segundo os números da Associação dos Enganados e Indignados do Papel Comercial, em dois mil lesados, apenas 20 não aceitaram.

Os lesados do BES vão receber apenas parte do dinheiro que perderam e a prestações. No contrato de adesão  é prometido aos lesados a recuperação imediata de 30% do que investiram.

Quem aceitou a solução terá este ano, em princípio, já uma tranche e no ano a seguir o resto da capital correspondente à percentagem do investimento feito”, disse à TVI Ricardo Ângelo, presidente da Associação de Enganados e Indignados do Papel Comercial do BES

O acordo permite a recuperação de 75% do valor investido, desde que não ultrapasse dos 500 mil euros. Se passar este limite, os lesados recebem até 50% do que investiram e em parcelas.

O dinheiro para pagar o que foi reclamado virá, em teoria do Fundo de Resolução. Um fundo que  é pago pelos bancos. Mas a solução encontrada para pagar aos lesados não vai contar com a participação dos bancos que fazem parte do Fundo de Resolução. O Estado vai intervir através de uma garantia direta, até porque, nesta altura, o Fundo de Resolução está sem recursos.

Uma parte que vem pelo Fundo de Resolução. Existe um empréstimo em que será pago através de um fundo, para ir buscar o capital, e que será pago ao fundo que depois paga o empréstimo", explica Ricardo Ângelo.

Há ainda problemas por resolver. No caso dos emigrantes, foi assinado com acordo com 6 mil clientes do banco que poderão receber parte do que investiram. Mas há ainda 500 que não se conformam e enviaram uma carta ao Parlamento Europeu a contestarem a resolução do BES.  

As soluções encontradas para os lesados receberam a luz verde do Lone Star que se propôs adquirir 75% do Novo Banco.

Só que o negócio não está ainda concluído. Falta ainda proceder à troca de obrigações por dívida subordinada, que tem sido contestada, e falta também a aprovação do negócio por parte de Bruxelas e do BCE.