A investigação aos negócios do BES, que na semana passada foi alvo de buscas em Lisboa, extravasa as fronteiras de Portugal, segundo o «Wall Street Journal» (WSJ) que, esta segunda-feira dedica um artigo ao grupo bancário português e revela que o Espírito Santo é alvo de investigação em vários países por suspeitas de «lavagem de dinheiro».

Um desses países é a Líbia. O Aman Bank, do qual o Banco Espírito Santo é dono de 40 por cento, está a ser alvo de uma investigação relacionada com o desvio de dinheiro para fora do país, oriundo de pessoas afetas ao Coronel Khadafi, o líder deposto da Líbia, segundo fonte dos serviços secretos norte-americanos, que está a ajudar na investigação.

O WSJ revela que, durante a guerra civil desencadeada em 2011, quando os bancos líbios enfrentavam sanções e, consequentemente, restrições nas suas operações, o banco detido pelo grupo português facilitava elevadas transferências de dinheiro para fora da Líbia que colocava em contas no Dubai e na Suíça. Tudo isto com o conhecimento das chefias do BES em Portugal.

O banco Aman recusou-se a comentar o caso. A fonte adianta ainda que pelo menos uma das agências norte-americanas de investigação alertou as autoridades portuguesas para este caso.

E da Líbia saltamos para os Estados Unidos, precisamente. O Ministério Público americano está a investigar um alegado caso de lavagem de dinheiro de um empresário venezuelano através do BES em Miami.

Nas contas do banco em Miami caíam avultadas somas de dinheiro do Estado venezuelano que depois eram transferida para a Suíça ou para as Ilhas Caimão. A informação é prestada ao WSJ por antigos funcionários do banco, mas, instigado pelo WSJ a reagir às suspeitas, o banco de Miami, não quis comentar o caso. A companhia venezuelana aqui visada está também a ser investigadas pelas autoridades americanas por corrupção.

Também Ricardo Salgado e a direção do Novo Banco, contactados pelo WSJ, não quiseram prestar declarações.