A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou hoje que a economia mundial está a assistir a «alguns sinais de recuperação», mas que «o crescimento global continua mitigado», reconhecendo que há «diferentes velocidades» de crescimento.

«O FMI vai divulgar as suas previsões atualizadas nas próximas semanas. Para já, deixem-me dizer que, enquanto assistimos a alguns sinais de recuperação, o crescimento global continua mitigado», afirmou Lagarde, num discurso na Câmara do Comércio norte-americana em que falou sobre as perspetivas para uma economia global dinâmica.

De acordo com a diretora-geral do Fundo, «mais e mais economias estão a mover-se a diferentes velocidades», pelo que «os frutos do crescimento estão longe de serem amplamente partilhados», dando continuidade a um relatório recente da instituição.

Na terça-feira, o FMI afirmou hoje que os países devem ter «limites de velocidade» e evitar reduzir os défices orçamentais demasiado depressa, mesmo quando estão sob pressão dos investidores por terem uma dívida elevada.

Lagarde destacou que, «pela primeira vez em muito tempo, a zona euro está a começar a crescer, apesar de ainda estar muito por fazer» e que, nos Estados Unidos, «o crescimento está a arrancar».

No discurso, a responsável citou uma análise recente do FMI sobre os efeitos de contágio (spillover) entre as economias, indicando que se as cinco maiores economias do mundo adotassem um conjunto de políticas «mais rigorosas, amplas e compatíveis», o Produto Interno Bruto (PIB) mundial aumentaria em cerca de 3% no longo prazo.

Relativamente à economia norte-americana, Christine Lagarde referiu que o facto de a recuperação estar a ganhar força é uma «boa notícia para a América e uma boa notícia para o mundo».

Destacando que «a criação de emprego é o ingrediente chave para qualquer recuperação económica, seja doméstica ou global», a antiga ministra das Finanças de França disse que os números para os Estados Unidos apresentam uma imagem pouco clara, uma vez que a taxa de desemprego está a cair (7,3% em agosto), mas a taxa de atividade também permanece em queda e o emprego continua muito abaixo dos níveis anteriores à crise.

Por isso, recomendou às autoridades norte-americanas que consolidem as contas públicas, que terminem a reforma do setor financeiro e que abandonem as medidas não convencionais de estímulo à economia de forma gradual e em sintonia com a recuperação da economia e do mercado de trabalho.

A diretora-geral do FMI dedicou ainda algum tempo do seu discurso aos países emergentes, considerando que, «em grande medida, ajudaram a economia mundial durante a crise», mas que, agora, «a sua dinâmica está a abrandar».

«Para alguns, isso pode ser uma mudança em direção a um crescimento mais equilibrado e sustentável. Para outros, reflete a necessidade de corrigir os desequilíbrios que tornaram esses países mais vulneráveis à turbulência recente dos mercados», afirmou, sem se prolongar mais sobre esta matéria.

Lagarde disse, por fim, que o Fundo está a proceder a uma série de reformas do seu modelo de governação, com as quais pretende reforçar a capacidade de prevenção e resolução de crises, o que vai implicar uma alteração nas quotas dos Estados membros, apelando ao apoio de todos os países, «incluindo dos Estados Unidos».