O grupo português HIT, detido maioritariamente pela multinacional japonesa Kagome, anunciou esta sexta-feira que investirá 1,5 milhões de euros na criação de um novo Centro de Investigação na área do tomate em Portugal, na zona da Lezíria, no Ribatejo, escreve a Lusa.

De acordo com o administrador-delegado do grupo HIT, Martin Stilwell, o centro está já em funcionamento, sendo uma extensão do Centro Japonês em Nasushiobara, em «cinco hectares plantados no Ribatejo», prevendo-se um reforço do investimento já no próximo ano.

Martin Stilwell falava aos jornalistas no final de uma reunião do chairman (presidente do Conselho de Administração) do grupo japonês Kagome, Hidenori Nishi, com o vice primeiro-ministro, Paulo Portas.

O governante português valorizou a importância desta aposta em Portugal no setor agroalimentar, sublinhando o facto de se tratar do primeiro investimento do grupo japonês ¿ que produz ketchup para a McDonalds ¿ fora do Japão.

«Este grande grupo mundial de tomate e derivados de tomate fez pela primeira vez um investimento no setor de pesquisa e desenvolvimento fora do Japão e escolheu Portugal para fazer esse investimento», disse, citado pela Lusa.

Na base desta decisão, de acordo com o administrador-delegado do grupo HIT, estão as condições de produção «únicas» e a qualidade da matéria-prima produzida em Portugal.

Nesta fase, estão já dois cientistas japoneses a acompanhar o trabalho de investigação do centro e a ser instalados laboratórios e estufas nas instalações do grupo HIT.

Até agosto, será implementada uma planta industrial piloto, que viabilizará trabalhos de investigação de novos produtos e processos, e serão contratados mais dois cientistas portugueses.

De acordo com o responsável pelo grupo HIT, o grupo japonês olha para Portugal «como uma fonte de abastecimento de derivados do tomate muito importante», estando a comprová-lo o facto de o país ter conseguido elevar as exportações para o japão nos últimos anos em 37%.

Em termos de produção, segundo Martin Stilwell, o ano de 2014 está «a correr muito bem» e o setor deverá conseguir chegar à produção de 1,6 milhões de toneladas, o que compara com o um milhão de toneladas que era produzido há cerca de 7/8 anos.

«O Governo português vê com bons olhos este investimento, uma vez que nos faz avançar em termos tecnológicos. Estamos interessados em criar condições para que se possa estender produção e chegar aos 2 milhões de toneladas. Estamos aqui para facilitar e não dificultar», sublinhou Paulo Portas.

O governante destacou ainda o facto de as fábricas da Kagome em Portugal exportarem 99% do que produzem e competirem diretamente com a China para ganhar o mercado Japonês.

«A nossa seta está para cima, o que e bom sinal», disse Portas.

«Hoje em dia, os produtos agroalimentares, agroindustriais e agroflorestais significam mais 20% das exportações portuguesas. A aposta no mundo rural com uso eficiente dos fundos comunitários está a dar resultados. Quem pensava que o setor agrícola era uma coisa do passado enganou-se completamente», concluiu.