O antigo presidente do Banco Privado Português (BPP) João Rendeiro vai estar hoje ausente na leitura do acórdão do processo Privado Financeiras, caso que envolve ainda os ex-gestores do BPP Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital.

João Rendeiro, Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital estão acusados pelo Ministério Público, em coautoria, de burla qualificada, crime com uma moldura penal de dois a oito anos de prisão.

Quanto às razões da ausência de João Rendeiro, fonte ligada ao processo disse à agência Lusa que, tendo a leitura do acórdão sido adiada duas vezes e uma vez que a terceira data marcada pelo tribunal coincidia com um período em que João Rendeiro estava ausente do país, o tribunal preferiu, para não adiar mais uma vez, dispensar o arguido de estar presente na audiência agendada para hoje, às 15.00, no Campus da Justiça, Lisboa.

O último adiamento da leitura do acórdão, ocorrido há duas semanas, foi motivado por "questões de agenda" do coletivo de juízes. Neste caso, o julgamento é presidido pelo juiz Nuno Salpico.

Neste julgamento, que decorreu na Instância central de Lisboa, 1.ª secção criminal (juiz 6), esteve em causa uma operação de aumento de capital de um veículo de investimento denominado 'Privado Financeiras'.

Os três ex-administradores do BPP são acusados por terem atraído acionistas para um aumento de capital deste veículo quando sabiam que já estava falido.

Perante o tribunal, os clientes afirmaram, em geral, que estavam cientes do risco de perda total do capital aplicado neste produto, mas garantiram que foram enganados quanto à operação de aumento de capital da Privado Financeiras.

Os investidores explicaram que foram persuadidos a contrair empréstimos com penhor das contas junto do BPP para participar na operação proposta pelos seus gestores de conta, sem imaginar que parte da verba captada foi usada para abater créditos da própria 'Privado Financeiras' junto da banca, nomeadamente, do JP Morgan (200 milhões de euros) e do próprio BPP (50 milhões de euros).

Os diversos investidores deste veículo do universo BPP alegam que foram lesados numa verba global superior 40 milhões de euros.

Este é apenas um dos vários processos criminais e contraordenacionais que estão curso no âmbito do chamado caso BPP.