Cláudia nem sequer obteve respostas quando pediu financiamento à banca portuguesa para investir numa fábrica de osso sintético. «Fui a vários bancos», recorda a engenheira de materiais, «nem sequer me disseram se o financiamento tinha ou não sido aprovado».

Estamos em 2007, muito perto da crise que irá explodir no mundo inteiro. Mas Cláudia Ranito há-de fazer singrar a Medbone em plena tormenta. E a chegada da troika, a 6 de abril de 2011, há precisamente 4 anos, não conseguiu abrandar o crescimento da empresa.

Fartou-se de fazer investigação académica para ficar guardada na gaveta e pôs mãos à obra. «Disseram que eu era louca», mas Cláudia não quis saber. Arranjou o primeiro financiamento bancário em Madrid por vídeo-conferência. «Ao fim de uma semana, tinha o dinheiro na conta». Hoje exporta para quase 50 países e durante a reportagem da TVI fechou mais um contrato com o Egipto.

É um caso de sucesso, mas durante quatro anos fez tudo sozinha porque não tinha margem financeira para contratar. A parte mais fácil, para Cláudia, é mesmo a da produção de osso sintético; o resto – «como gerir uma empresa, como vender, como encontrar os canais de distribuição» de dispositivos médicos -, o resto não sabia, mas leu «muito» e aprendeu sozinha. Agora já pode contratar colaboradores e continuar a crescer. O sonho é ter o mapa mundo que está na parede de um dos gabinetes completamente «tomado» pelo osso sintético da Medbone.

Para ter sucesso, é preciso ter ambição

Ambição é um dos traços comuns das histórias que juntamos no Repórter TVI «Sucesso em tempos de troika”. E Cristina Ferreira é um bom exemplo dessa ambição, de quem não se contenta com um só caminho: podia ser só apresentadora de televisão, mas não é.

E sente que criou riqueza em contra-ciclo. Cresceu contra a troika: dá emprego a 10 colaboradores no blog «Daily Cristina», criou uma revista com o seu nome, e um perfume, desenha sapatos, tem uma loja de roupa e ainda é diretor de conteúdos não informativos da TVI. E sabe que cada vez que posta no seu blog faz sonhar como a própria sonhava quando «comprava sapatos na feira», mas queria mais.



«Sabia que queria o mundo para mim»

«Sabia que queria o mundo para mim, mas nunca imaginei que chegasse aqui». Aqui, no dia em que a TVI entrevistou Cristina Ferreira, é Paris, onde a cara da estação foi a convite de uma marca internacional que quer a promoção do «Daily Cristina» porque o que a apresentadora escolhe no blog, vende... e esgota.

Vítor Sampaio e Maria Joell também são ambiciosos. Um dia decidiram partir à aventura e criar o seu próprio negócio. Disseram adeus aos empregos que tinham e descobriram o que poderiam produzir para vender em Portugal e no estrangeiro. Primeiro estudaram o mercado, depois avançaram para um concentrado de fruta, sem aditivos artificiais, bebido até por diabéticos. Nasceram há oito meses. Apenas oito meses. Mas já vendem na China. E querem chegar ao mundo inteiro.

Também por isso a fábrica que produz o concentrado «Jusanté» fica em Madrid: «Precisávamos de uma fábrica que nos garantisse qualidade e quantidade» e por isso mesmo estão em obras na linha de produção porque os pedidos da Polónia, China, Japão e também os de Portugal obrigam a produzir mais unidades.

«Se uns começaram do zero...»

«Se uns começaram do zero porque é que nós não podemos começar?», perguntam quase em uníssono à reportagem da TVI. Nós não respondemos. Deixamos que seja Paulo Rebelo a responder porque a história de Paulo fala por si.

Ajudou a pôr cadeiras no Estádio do Dragão, trabalhou em cafés e a distribuir panfletos. Trabalha desde os 16 anos para garantir os estudos. Terminou a Faculdade de Economia do Porto como um dos melhores alunos, mas nenhuma proposta empresarial igualava o que Paulo já ganhava com as apostas de futebol online. E à TVI explica exatamente o que faz e como potencia os resultados, que já lhe valeram carros velozes como um Ferrari.



Mas não é o acaso que explica a história destes aventureiros que fizeram frente às dificuldades, lutaram contra os piores indicadores económicos alguma vez registados em Portugal e não desistiram.

Como conseguir o primeiro financiamento para arrancar

Carlos Silva também não desistiu. E como não conseguiu abrir a empresa em Portugal, foi fundá-la a Londres. Agora tem escritório em Lisboa e no Reino Unido e arranjou solução para quem quer lançar-se no mundo dos negócios: o que não é fácil para quem não tem um familiar ou um amigo rico que empreste aquela primeira tranche de investimento.

E foi para isso que a «Seedrs» nasceu: permite investir online em start-ups, ajuda os pequenos negócios a conseguirem esse capital e dá aos investidores não profissionais a oportunidade de financiarem empresas.

Talvez se transformem no novo Facebook, talvez não. O mais provável é que não, mas o mais importante é que com esta plataforma o mundo dos negócios torna-se mais democrático, acessível a todos os que tenham boas ideias, que agora podem angariar dinheiro para as pôr em prática.

No Repórter TVI desta semana, no dia em que se contam quatro anos desde o pedido de resgate financeiro, mostramos-lhe cinco casos com «sucesso em tempos de troika».