Apesar das ténues mudanças positivas na economia portuguesa que se têm verificado, as exportações e a aposta na internacionalização das empresas continuam a ser alternativas a ponderar. A par dos mercados ditos «tradicionais» como Angola, Moçambique, Brasil, têm vindo a ser delineados percursos mais latinos, direcionados para outras paragens. Refiro-me concretamente a países da América Latina, como a Colômbia, Peru e Chile.

CORFO CHILE (Chilean Economic Development Agency), START-UP CHILE dizem-lhe alguma coisa? Chill out, este é um mercado que merece particular atenção pelas oportunidades que pode «oferecer» a quem decide apostar nesta zona do Globo.

A ligação Portugal/Chile, Chile/Portugal afigura-se como um casamento feliz. Isto porque, de parte a parte, se vislumbram mecanismos de apoio e incentivo que podem determinar a estratégia de investimento de uma empresa se ¿aposta¿ neste e não noutro mercado.

Para os investidores, os principais factores de atractividade em Portugal são a partilha linguística e cultural com países emergentes, bem como a diversidade e qualidade da mão-de-obra e a estabilidade do ambiente de negócio.

Sem dúvida que Portugal, apesar do contexto troikano em que se encontra, mantém-se como palco geoestratégico muito interessante para quem quer partir para outras aventuras não só na Europa, como também em África.

Iniciativas como o conhecido Visa Gold (autorização de residência através de investimento em Portugal), apresentam-se como instrumentos facilitadores e apelativos a investidores que olham agora para Portugal com outros olhos. Virados para o investimento imobiliário, chamando as agências imobiliárias (de gama média/alta) a pronunciar-se (na aquisição de bens imóveis de valor igual ou superior a 500.000,00 euros), para o sector bancário (transferência de capitais no montante igual ou superior a um milhão de euros) e ainda na criação de pelos menos 10 postos de trabalho.

Quanto ao Chile, através do programa START-UP CHILE, uma iniciativa de empreendimento e inovação promovida pelo Governo chileno, é concedido, a fundo perdido, um capital de 40 mil dólares para cada projecto empreendedor e visto de trabalho de um ano no Chile. Este programa visa atrair negócios em fase inicial com grande potencial de crescimento, o que ¿casa¿ na perfeição com tantos projectos portugueses que precisam destes mesmos incentivos.

O Chile é um país palco de estabilidade política e económica, competitividade e ambiente de negócios promissor a custos acessíveis, extensa rede de Tratados de Livre Comércio, sem esquecer os recursos humanos competitivos de que dispõe.

Quem pretende investir sobretudo em áreas como a construção civil e obras públicas/materiais de construção/concessões, energia (renováveis) e Ambiente; serviços (TI e telecomunicações, consultoria); plástico/embalagem; máquinas e equipamentos (moldes); mineiro, florestal, agro-industrial, vitivinícola, pesqueiro, distribuição, retalho, biotecnologia e turismo: encontra aqui grandes oportunidades.

Leonor Guedes de Oliveira, advogada (leonor.guedes.oliveira@jpab.pt)