O secretário de Estado da Agricultura assegurou esta sexta-feira que a suspensão de novas candidaturas ao PRODER é um «ato de gestão normal», desdramatizando a reação do setor que ficou «em estado de choque» com a decisão.

«É um ato de gestão normal que o PRODER (Programa de Desenvolvimento Rural) faz e tem feito durante toda a [sua] vivência, quando começa a haver um fluxo de candidaturas muito grande, e nos últimos três meses houve o dobro das candidaturas», disse José Diogo Albuquerque, em declarações à agência Lusa.

O governante, que considera o aumento do número de candidaturas como um «bom sinal» para o setor, explicou que a suspensão vai permitir «fazer pontos de situação» para que se possa «dar resposta» aos agricultores.

«Se estivermos a receber candidaturas, mais candidaturas e não estivermos a dar resposta não estamos a assegurar uma boa gestão do programa», disse.

José Diogo Albuquerque falava à Lusa em Ponte de Sor, no distrito de Portalegre, à margem do encerramento de um colóquio subordinado ao tema ¿Estratégias para os Sistemas Agroflorestais Alentejanos¿, iniciativa inserida na segunda edição da feira agroflorestal daquele concelho alentejano.

A decisão de suspender as candidaturas ao regime de transição do PRODER, divulgada na segunda-feira e com efeitos a partir dessa data, apanhou o setor de surpresa e deixou centenas de empresas «em estado de choque», segundo a Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente (ANEFA).

Também a Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (FAABA) reagiu «com surpresa e apreensão» ao anúncio, considerando que a decisão «é altamente lesiva para os agricultores com projetos de preparação ou em início de execução».

«A questão de se fazer sem pré-aviso é uma coisa que tem acontecido sempre com a gestão do PRODER, não é de agora, faz-se para evitar especulações», reafirmou José Diogo Albuquerque.

O governante assegurou, no entanto, que o próximo Programa de Desenvolvimento Rural 2020 «vai abrir muito rapidamente», apontando «o fim do ano ou até antes» para que esteja em curso.

«O que temos que assegurar é que todas estas candidaturas possam ser analisadas e dada uma resposta para poder abrir o próximo. Isto faz parte da gestão», sublinhou.

José Diogo Albuquerque rejeitou a ideia de que a suspensão de novas candidaturas ao PRODER possa vir a atrasar a vida aos agricultores, defendendo uma gestão «controlada» dos respetivos projetos.