A Caixa Geral de Depósitos (CGD) está a cumprir «folgadamente» os rácios exigidos para a banca e quando concretizar a venda da atividade seguradora atingirá os todos os requisitos de Basileia III, afirmou hoje o presidente do banco público.

«A nossa situação de liquidez é positiva, a de capital também é positiva», disse José de Matos na conferência "Empresas na Caixa", a decorrer em Lisboa, acrescentando que a CGD «está acima» dos mínimos regulamentares.

O presidente da CGD afirmou que o banco está «a cumprir os rácios folgadamente» e explicou que, mesmo com a entrada em vigor das regras de Basileia III (que implicam um aumento das reservas de capital, entre outros critérios), a situação do banco «continua a ser muito confortável, especialmente se concluir a venda dos seguros».

José de Matos considerou que «a rentabilidade do setor [financeiro] é o desafio mais complicado» não só para Portugal, mas para toda a Europa.

O presidente do banco público adiantou que a CGD tem diminuído o financiamento junto do Banco Central Europeu (BCE), mas sublinhou que tem «colateral [garantias] disponível» para recorrer à instituição liderada por Mario Draghi se houver uma emergência no futuro.

O presidente da CGD salientou ainda que o banco «tinha muito pouca exposição às empresas públicas» antes de 2011, altura em que teve de apoiá-las, «porque o sistema bancário estrangeiro saiu e [esse apoio] era absolutamente crucial do ponto de vista sistémico para garantir a sobrevivência da economia».

Sobre a concessão de empréstimos, José de Matos disse que «a evolução do crédito para as pequenas e médias empresas (PME) vai ser tão boa como para as grandes», sublinhando que não as distingue pelo tamanho, mas sim pela qualidade.

O responsável admitiu, no entanto, que o crédito tem sido direcionado para as empresas que produzem bens transacionáveis, nomeadamente as que apostam nas exportações.

Numa análise à situação macroeconómica, José de Matos disse que o ambiente «ainda é adverso e cheio de desafios», mas reconheceu que a economia está a crescer «mais saudavelmente do que no passado, sustentada nas exportações».

Para o presidente da CGD os principais problemas da economia são a «inaceitável» taxa de desemprego e as elevadas taxas de juro, que não garantem um «financiamento sustentável».