O ex-ministro da Economia Daniel Bessa critica a aposta no crescimento por via da procura interna, dizendo que “fazer isso à escala de Portugal é uma patetice”.

Sou a favor de políticas de procura mas não sou amigo de políticas de procura à escala de dez milhões de tesos e endividados, isso é uma catástrofe”.

Numa intervenção nas jornadas parlamentares do PSD, que terminam hoje em Coimbra, Daniel Bessa foi orador num painel sobre "Desenvolvimento Económico e Atração do Investimento", juntamente com Jorge Marrão, presidente da Associação Missão Crescimento.

Duvidando de que Portugal possa ter crescimentos fortes e sustentados, defendeu que, se à escala europeia deveria haver uma política orçamental mais expansionista, “fazer isso à escala de Portugal é uma patetice”.

Não faz o menor sentido, não tem condições nem trará resultados, pôr a economia a crescer pela despesa é o que temos feito, não é vida para ninguém”.

Daniel Bessa, que foi ministro da Economia do governo socialista de António Guterres por apenas cinco meses, não poupou críticas também a esse período político, no qual “existiu um crescimento rápido mas errado”, “que não tinha sustentabilidade nenhuma”.

Como resolver? Aceitam-se apostas, costumo dizer que o lugar do morto num Governo é o do ministro da Economia, alguém se lembra de algum ministro da Economia que tenha feito alguma coisa?”.

Para si, a única exceção Mira Amaral, ministro da Indústria e da Energia entre 1987 e 1995 nos Governos de Cavaco Silva.

Ainda assim, sublinhou, esse crescimento só se deu porque o Governo estava disposto a pagar muito por investimento em território nacional, apontando o caso da Autoeuropa.

Daniel Bessa disse ainda concordar com a perspetiva defendida em tempos pelo ex-ministro da Economia Manuel Pinho sobre os salários e defendeu que Portugal teria vantagem em ter “a mão-de-obra mais barata da União Europeia”.

“Continuo a achar que o melhor era falar com o engenheiro Mira Amaral – pagou que se fartou – pagou mas teve contrapartidas de investimento em Portugal”, concluiu, defendendo que Portugal deverá apostar mais nos serviços do que na indústria e que a única área mais sofisticada em que poderá ter resultados é na saúde.

A ex-ministra das Finanças Maria Luís Albuquerque, que moderou o painel, salientou que nem sempre a aposta na descontinuidade com o passado tem consequências eleitorais negativas.

“Curiosamente, a verdade é que tendo imposto essa descontinuidade e provocado esse impacto pela necessidade de mudança, ainda assim a coligação [PSD/CDS] ganhou as eleições”, salientou a vice-presidente do PSD.