O ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia (MAOTE), Jorge Moreira da Silva, admitiu esta terça-feira que a concessão das empresas do grupo Águas de Portugal «é uma possibilidade» e não «uma inevitabilidade».

Moreira da Silva, que está hoje no Parlamento no âmbito da discussão sobre o Orçamento do Estado, sublinhou que «no curto e médio prazo» o que está em causa é a reestruturação da holding estatal para o setor da água.

«A concessão não é uma inevitabilidade, é uma possibilidade. Não vale a pena empurrarmos este Governo para uma decisão que este Governo não tomou», respondeu ao deputado da bancada comunista, Bruno Dias, que questionou o governante sobre os objetivos da privatização.

O ministro do Ambiente, que assumiu a pasta anteriormente tutelada pela ministra da Agricultura, Assunção Cristas, salientou que «não é possível ter sustentabilidade» com a atual fragmentação do setor em que «500 entidades distribuem água aos cidadãos», sublinhando que o objetivo é ter «uma gestão mais integrada das infraestruturas».

Atualmente, «a discussão deve ser mais centrada na coesão [entre litoral e interior] e não nas concessões», afirmou Moreira da Silva considerando que essa questão é «extemporânea».

O governante negou, no entanto, que a nova orgânica ministerial «ponha em causa as opções do Governo», enfatizando que o quadro legal abre esta possibilidade, mas não a coloca como «inevitabilidade».

Sobre os resíduos, reafirmou que a opção foi «autonomizar a EGF» e que o processo de privatização será desencadeado «em breve».