A leitura do acórdão do processo Privado Financeiras, que envolve três ex-gestores do Banco Privado Português (BPP), entre os quais o antigo presidente, João Rendeiro, que estava agendada para quinta-feira, foi novamente adiada para 5 de junho.

A informação foi prestada à Lusa por fonte da defesa de um dos arguidos do processo, que está ser julgado pelo coletivo de juízes presidido por Nuno Salpico.

João Rendeiro, Paulo Guichard e Salvador Fezas Vital, antigos gestores do BPP, estão acusados pelo Ministério Público, em coautoria, de burla qualificada, crime com uma moldura penal de dois a oito anos de prisão.

Neste julgamento, que decorre na Instância central de Lisboa, 1.ª secção criminal (juiz 6), no Campus da Justiça, em Lisboa, está em causa uma operação de aumento de capital de um veículo de investimento denominado 'Privado Financeiras'.

Os três ex-administradores do BPP são acusados por terem atraído acionistas para um aumento de capital deste veículo quando sabiam que já estava falido.

Perante o coletivo de juízes, os clientes afirmaram, em geral, que estavam cientes do risco de perda total do capital aplicado neste produto, mas garantiram que foram enganados quanto à operação de aumento de capital da 'Privado Financeiras'.

Os investidores explicaram que foram persuadidos a contrair empréstimos com penhor das contas junto do BPP para participar na operação proposta pelos seus gestores de conta, sem imaginar que parte da verba captada foi usada para abater créditos da própria 'Privado Financeiras' junto da banca, nomeadamente, do JP Morgan (200 milhões de euros) e do próprio BPP (50 milhões de euros).

Mais de uma centena de investidores deste veículo do universo BPP, entre os quais Francisco Pinto Balsemão, Stefano Saviotti e Joaquim Coimbra, alegam que foram lesados numa verba superior a 40 milhões de euros.

Este é apenas um dos vários processos criminais e contraordenacionais que estão curso no âmbito do chamado caso BPP.