O líder parlamentar do BE, Pedro Filipe Soares, desvalorizou as previsões da OCDE para o défice divulgadas esta quarta-feira e sublinhou que não cabe à organização falar em eventuais medidas adicionais para o cumprimento do défice.

Nem a previsão merece a credibilidade que nós já sabemos que no passado não teve nem a OCDE tem nenhum poder vinculativo para qualquer tipo de medidas adicionais a Portugal", afirmou Pedro Filipe Soares aos jornalistas, no parlamento.

Nas previsões económicas divulgadas esta quarta-feira, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) piorou a sua estimativa para o défice de Portugal, esperando agora que atinja os 2,9% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, quando em novembro antecipava um défice de 2,8%.

Os dados da execução orçamental existente, que não são incorporados no estudo da OCDE demonstram que a previsão entre receita e despesa está a cumprir com aquilo que era o objetivo do Governo e o que estava anteriormente previsto no Orçamento do Estado para 2016", sustentou o líder da bancada bloquista.

Pedro Filipe Soares apelou "à tranquilidade necessária neste momento e à necessidade de deixar o Orçamento do Estado fazer o seu caminho".

A OCDE está mais pessimista do que o Governo, que mantém como meta para este ano um défice para 2,2% do PIB, e junta-se ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que também antecipa um défice de 2,9%, e à Comissão Europeia, que estima um défice de 2,7%.

A OCDE - no relatório preparado departamento de Estudos Económicos liderado pelo ex-ministro Álvaro Santos Pereira - também duvida das metas orçamentais do Governo para 2017, estimando que no próximo ano o défice fique nos 2,6% do PIB, quando o executivo liderado por António Costa comprometeu-se com um défice orçamental de 1,4% do PIB para esse ano, no Programa de Estabilidade 2016-2020.

O secretário-geral do PCP afirmou esta quarta-feira que as estatísticas económicas seriam mais preocupantes se estivessem a ser prosseguidas as políticas preconizadas por PSD/CDS-PP e sem a reposição de salários e direitos levada a cabo pelo Governo do PS.

As estatísticas não são mais graves precisamente devido à reposição de salários e direitos, que levaram ao aumento do consumo interno, com este crescimento do mercado interno, que por si não chega, mas é um elemento positivo", disse Jerónimo de Sousa, à margem de uma visita à Sociedade de Instrução e Beneficência "A Voz do Operário", em Lisboa, assinalando o Dia Mundial da Criança.

"Obviamente, sem desenvolvimento económico, mais investimento, mais crescimento, nós criamos aqui uma situação de contradição. Agora, esses que criticam a devolução de salários e direitos, imagine o que seria se [não houvesse] esse elemento positivo... as consequências, a situação em que nos encontraríamos...", alertou o líder comunista, desvalorizando avisos semelhantes de União Europeia, Fundo Monetário Internacional ou Banco de Portugal.

Para Jerónimo de Sousa "há soluções, mas assobiar para o lado em relação a estes constrangimentos" não é a atitude correta, referindo-se à "submissão ao euro", "vista grossa à necessidade de renegociar a dívida" e "resolução do problema da banca nacional", dizendo que tudo isto tem contribuído para Portugal estar sempre num "’tem-te, Maria, não caias'".

Se as pessoas vissem os seus salários e reformas cortados, impostos aumentados, os portugueses estariam bem pior e não resolveriam, insisto, a questão de fundo", reforçou.

O secretário-geral comunista, 69 anos, foi efusivamente cumprimentado por dezenas de crianças durante a visita ao centenário estabelecimento do bairro da Graça, durante a hora de recreio e visitou também algumas salas de aula, recebendo explicações sobre o modelo educativo local.