O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jack Straw, considerou hoje que Portugal melhorou a situação das suas finanças públicas durante o período de vigência do programa de ajustamento imposto pela troika, mas apontou para a necessidade de criar emprego.

«Portugal deu passos em frente durante estes três anos, o que permitiu ao primeiro-ministro anunciar a saída limpa do resgate de 78 mil milhões de euros», afirmou o deputado do Partido Trabalhista britânico, num evento em Lisboa.

Jack Straw, que foi o orador convidado para a conferência "Trazer a Europa de volta ao trabalho", apontou como exemplo as melhorias fiscais, sublinhando que Portugal «não foi o único país a sofrer uma grave crise financeira» e que «os últimos anos foram os mais difíceis para Portugal desde a revolução de há 40 anos».

Apontando para os «grandes progressos» do país desde o fim da ditadura, Jack Straw realçou que Portugal «ainda tem uma taxa de desemprego muito alta» e que «um dos principais problemas que Portugal enfrenta tem a ver com a emigração dos jovens mais qualificados, que criará no futuro um problema demográfico».

E reforçou: «A recuperação económica sem criação de emprego não é sustentável».

Já à margem da conferência, questionado pelos jornalistas

sobre a decisão do executivo de Passos Coelho por uma saída limpa do programa da troika, o político britânico disse que se trata de «uma decisão do Governo», mas que «o mais importante é que é a decisão que reunia maior apoio».

Mesmo assim, considerou a saída à irlandesa, isto é, sem recurso a um programa cautelar, «uma boa notícia».

O deputado trabalhista insistiu que «o maior problema em Portugal é o desemprego jovem, que leva à emigração» de milhares de profissionais bem preparados que não encontram colocação no mercado de trabalho interno.

«Atacar este problema deve ser a prioridade, não só em Portugal, mas ao nível da União Europeia», vincou.

Sobre o papel da moeda única europeia na crise, Jack Straw salientou que sempre foi um opositor da entrada do Reino Unido no euro.

«Ninguém sabe o que teria acontecido a Portugal se não tivesse aderido ao euro», disse, constatando que, apesar de tudo, «os principais partidos [portugueses] continuam vinculados à Europa» e ao projeto da moeda única.

Certo é que, segundo o político britânico, «se há uma moeda única, tem que haver soluções únicas» de âmbito europeu para responder à crise.

Questionado sobre as suas declarações, em 2011, acerca de existir a possibilidade de a União Monetária falhar na Europa, o antigo ministro do governo de Tony Blair frisou que, de facto, alertou na altura para esse risco.

«Se tivesse acontecido nalgum país [a tomada de decisão de deixar de pertencer à moeda única], era destrutivo para toda a Europa», considerou.