O primeiro-ministro recusou-se hoje a comentar quaisquer matérias relacionadas com o conteúdo da proposta de Orçamento do Estado para 2017 (OE2017), que o Governo vai apresentar na sexta-feira depois de entregue no Parlamento.

Em declarações aos jornalistas, em Macau, durante a visita oficial à China, António Costa referiu que “faltam dois dias. Não vale a pena sermos tão ansiosos e concentremo-nos no trabalho que estamos aqui a fazer”. Um trabalho que passa por potenciar o investimento português naquele país mas também captar ainda mais atenção chinesa para Portugal, concretamente no que toca às empresas de tecnologia. 

Os jornalistas tentavam obter mais informação sobre temas que podem causar maior pressão durante a negociação do Orçamento com os partidos mais à esquerda. Afinal a única hipótese do Governo socialista fazer passar a sua proposta de Orçamento é com o apoio, tanto do Partido Comunista, como do Bloco de Esquerda, passando pelo Os Verdes.

Concretamente, Costa foi pressionado para levantar um pouco o véu sobre se a sobretaxa de IRS vai acabar na totalidade a 1 de janeiro próximo ou se a sua eliminação será gradual. E também se já chegou a acordo com os partidos que formam a maioria sobre o valor do aumento das pensões no próximo ano.

Estará o primeiro-ministro incomodado?

"Não estou nada incomodado. Daqui a dois dias saberemos respostas para isso tudo", respondeu o chefe de Governo.

O primeiro-ministro, António Costa, disse hoje que a "importância de Macau é enorme para Portugal" e que se deve à região e à comunidade portuguesa que aí vive o relacionamento político "excecional" com a China.

Governo reafirma que Macau é de "enorme importância" para Portugal

António Costa, que chegou à China no sábado, falava na residência consular de Portugal em Macau, numa receção com a comunidade portuguesa na cidade, a quem agradeceu "o que têm feito por Portugal" nesta região chinesa com administração especial.

Esta viagem à República Popular da China foi marcada por uma excelência do acolhimento que nos foi reservado pelas autoridades chinesas (...) E isso deve-se sobretudo àquilo que Portugal representa para a China graças a Macau. E em Macau graças à comunidade portuguesa e àquilo que a comunidade portuguesa fez ao longo dos séculos em Macau", afirmou citado pela Lusa.

"A importância de Macau é por isso enorme para Portugal", acrescentou, depois de enfatizar que "aquilo que diferencia Portugal no relacionamento com a China é precisamente Macau e é isso que explica e pode explicar o nível de tratamento e de acolhimento e de relacionamento político absolutamente excecional que a República Popular da China dedica" a Portugal.

O primeiro-ministro congratulou-se por o processo de transição da administração de Macau de Portugal para a China, em 1999, ter sido "exemplar" e pela forma como Pequim afirma a região "como uma ponte para o vasto espaço económico da lusofonia", que é "uma mais-valia imensa para o conjunto dos países lusófonos, do Brasil a Timor, mas naturalmente, muito particularmente para os portugueses".

Costa sublinhou que "essa dinâmica" se traduz num investimento chinês crescente em Portugal, em mais trocas comerciais e num aumento "muito significativo" de turistas da China em Portugal, que irão "necessariamente" aumentar quando a partir do próximo ano passar a haver um voo direto entre Pequim e Lisboa.

O primeiro-ministro disse ainda acreditar "que não faltará muito" para haver também um voo direto de Xangai para Portugal, provavelmente para o Porto, já que as duas cidades têm um protocolo de geminação.

Ainda sobre Macau, que não visitava há cerca de nove anos, António Costa disse ser "muito impressionante" o quanto a cidade mudou fisicamente neste período, mas ao mesmo tempo ver que "as marcas essenciais do património cultural acumulado ao longo de cinco séculos está impecavelmente conservado".

"Eu diria mesmo conservado com bastante orgulho", acrescentou.

O primeiro-ministro congratulou-se também pelo aumento do número de estudantes que procuram a escola portuguesa de Macau ou o aumento da procura do ensino da língua portuguesa na China, dizendo que esta é "a melhor garantia de que esta é uma relação que se consolida e que se desenvolverá no futuro".

O anfitrião da receção, o cônsul geral de Portugal em Macau, Vítor Sereno, disse, por seu turno a António Costa que Portugal tem "com Macau uma história e um património para preservar", mas sobretudo "uma história de futuro para escrever feita de desafios modernos e de uma cooperação alargada", considerando que esta visita do primeiro-ministro a Macau "é uma página importante nessa nova história", que abre espaço "ao envolvimento de mais empresas, instituições e técnicos portugueses nos novos circuitos que se abrem".