Os contribuintes não vão receber qualquer devolução da sobretaxa paga em 2015, porque a evolução da receita de IRS e IVA durante o ano não foi superior à prevista no Orçamento do Estado do ano passado, segundo a DGO.

De acordo com a síntese de execução orçamental publicada esta segunda-feira pela Direção-Geral de Orçamento (DGO), a receita do Imposto sobre o Rendimento de pessoas Singulares (IRS) no conjunto de 2015 atingiu 12.693,3 milhões de euros, menos 1,3% do que os 12.854 arrecadados em 2014.

Já no que diz respeito à receita em sede de Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) foram arrecadados 14.834,5 milhões de euros nos doze meses do ano passado, mais 7,4% do que os 13.814,1 milhões amealhados no mesmo período de 2014.

Isto significa que os 27.527,2 milhões de euros arrecadados em 2015 com IRS e IVA cresceram apenas 3,2%, ficando abaixo do aumento de 3,7% previsto no Orçamento do Estado para 2015 que teria de ser ultrapassado para que existisse alguma devolução da sobretaxa paga durante o ano.

 

Estado arrecada quase 39.000 milhões em impostos, mais 1.800 milhões que em 2014


O Estado arrecadou quase 39.000 milhões de euros em impostos em 2015, mais de 1.800 milhões de euros do que em 2014, um aumento de 5%, sobretudo devido aos impostos indiretos, refere ainda a DGO.

Os números constam da síntese da execução orçamental de 2015, publicada pela Direção-Geral do Orçamento (DGO), que dá conta de que, em 2015, a receita fiscal atingiu os 38.984 milhões de euros, mais 1.863,6 milhões do que a arrecadada em 2014.

Os impostos diretos aumentaram 4% face a 2014, para os 18.241,7 milhões de euros, o que se deveu exclusivamente à receita do IRC - Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas, que aumentou 16,1%, para os 5.246,6 milhões de euros.

Isto porque a receita do IRS - Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares caiu 1,3% até dezembro, para os 12.693,3 milhões de euros, uma evolução que a DGO justifica com a "redução da receita proveniente de rendimentos de capitais".

Quanto aos impostos indiretos, verificou-se um aumento das receitas de 5,9%, totalizando estes impostos os 20.742,4 milhões de euros em 2015, sendo que - à exceção das receitas do imposto sobre o tabaco (que caíram 11,3%) - as receitas dos restantes impostos indiretos aumentaram no ano passado face ao ano anterior.

O IVA - Imposto sobre o Valor Acrescentado, o imposto com mais expressão dentro da categoria, rendeu aos cofres do Estado receitas de 14.834,2 milhões de euros em 2015, um aumento de 7,4% face ao ano anterior.

Também a receita do ISP - Imposto sobre Produtos Petrolíferos cresceu 6,9%, para os 2.237,6 milhões de euros, e a relativa ao ISV - Imposto sobre Veículos aumentou 23,1%, para os 573,4 milhões de euros.

A DGO destaca ainda que "o crescimento [da receita] dos outros impostos diretos refletiu o desempenho da Contribuição sobre o Setor Bancário (+13,5%) e da Contribuição Extraordinária sobre o Setor Energético (77,4%)".
 

Défice fecha o ano nos 4,5 mil milhões, quase 500 milhões abaixo do previsto inicialmente


O défice das administrações públicas foi de 4.594,2 milhões de euros em 2015, em contabilidade pública, um valor que fica 499 milhões abaixo do previsto no Orçamento do Estado inicial, de acordo também com os dados divulgados esta segunda-feira pela Direção-Geral do Orçamento (DGO).

Na síntese de execução orçamental até dezembro de 2015, a DGO refere que "em 2015, e de acordo com a execução provisória, o saldo das administrações públicas, apurado na ótica da contabilidade pública (isto é, dos recebimentos e pagamentos), situou-se em -4.594,2 milhões de euros", ou seja, "499 milhões de euros abaixo da meta fixada no Orçamento do Estado inicial".

Considerando o universo comparável das administrações públicas, que exclui as entidades que foram reclassificadas em 2015 e que no ano anterior estavam fora do perímetro das administrações públicas, o défice orçamental registou uma melhoria de 2.567,5 milhões de euros, "explicada pelo efeito combinado da diminuição da despesa e do aumento, em menor proporção, da receita".

A receita total subiu 0,8%, devido ao aumento de 5,2% da receita fiscal, o qual foi, no entanto, "parcialmente anulado pela evolução negativa das restantes componentes da receita".

Já a despesa teve uma redução de 2,4%, que foi "determinada pelo decréscimo da despesa com subsídios à formação profissional, com pessoal, com prestações de desemprego e com juros que mais do que compensou o acréscimo registado na rubrica de investimento", de acordo com a DGO.