Foi o próprio primeiro-ministro que garantiu que a sobretaxa do IRS vai desaparecer em 2017. Só que não disse exatamente quando. E continua sem dizer, mas uma coisa parece bem possível: é que não seja logo em janeiro que acabe totalmente. Na véspera de sabermos quais as medidas finais incluídas no Orçamento do Estado essa podia ser uma expectativa, mas António Costa assume outro cenário.

Iremos cumprir, seguramente no próximo ano, o compromisso de eliminar a sobretaxa. Mesmo que esse compromisso não seja integralmente cumprido no dia 1 de janeiro".

Ainda assim, o chefe de Governo fez questão de lembrar, numa entrevista ao Diário de Notícias e TSF, na China, divulgada esta quinta-feira, que "a esmagadora maioria dos portugueses neste ano já não foi tributada com a sobretaxa do IRS".

Costa orgulha-se "muito" de ter conseguido "cumprir todos os compromissos" que assumiu: para além da sobretaxa, deu o exemplo da reposição total dos vencimentos da função pública este ano e de "praticamente" todas as pensões, com a "exceção da CES, que se manteve para as pensões mais altas".

Está confiante quanto às negociações à esquerda do PS, com BE, PCP e PEV para levar a proposta de Orçamento a bom porto.

Um Orçamento é sempre um exercício complexo, dentro do Governo, com os parceiros parlamentares, e este processo não fugiu à regra. [Porém] neste ano foi mais fácil, desde logo porque as pessoas tinham hábitos de trabalho que há um ano não tinham. Desta vez houve a vantagem de já haver um ano de trabalho em conjunto e uma confiança sedimentada. Claro, conforme vamos subindo a montanha, o exercício é mais exigente, mas isso só significa que é mais estimulante.​​​​​​"

Por fim, deixou a garantia de que o documento será entregue na Assembleia da República na sexta-feira e que é "uma boa proposta", mas que "naturalmente" há "condições para poder ser melhorada ao longo do debate parlamentar, até ao dia 29 de novembro".

Na mesma entrevista, Costa revelou que a China Minsheng quer comprar a maioria do capital do Novo Banco

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