A justiça irlandesa condenou esta quinta-feira por fraude bancária dois ex-executivos do Anglo Irish Bank, resgatado em 2009 pelo governo irlandês com 30 milhões de euros e encerrado em 2011.

Ao fim de 11 semanas de julgamento, o Tribunal Criminal de Dublin considerou Patrick Whelan e William McAteer culpados de em 2008 concederem empréstimos ilegais a 16 clientes para que estes comprassem ações e, dessa forma, mantivessem artificialmente o seu valor.

O mesmo tribunal ilibou o antigo presidente do banco, Sean Fitzpatrick, acusado dos mesmos crimes.

Durante o julgamento, a acusação sustentou que os três acusados contactaram dez clientes do banco e seis membros da família do ex-milionário Sean Quinn, que chegou a deter 25% das ações do Anglo Irish Bank.

Durante longos anos apresentado como a pessoa mais rica da Irlanda, Sean Quinn detinha uma quantidade importante de ações do Anglo Irish Bank, que perderam todo o seu valor quando o banco faliu e foi nacionalizado.

O júri considerou Whelan, 51 anos, e McAteer, 63, culpados de fraude no caso do grupo de dez clientes, conhecido como «Maple 10», mas inocentes no caso de Quinn.

Segundo a legislação irlandesa, cada crime de fraude pode ser condenado a um máximo de cinco anos de prisão e/ou a multa de pelo menos 3.100 euros.

As penas de Whelan e de McAteer serão pronunciadas a 28 de abril.

A defesa dos ex-executivos admitiu a existência dos empréstimos, mas assegurou que eles foram concedidos com conhecimento das autoridades reguladoras da Irlanda e do Reino Unido.

O resgate ao Anglo Irish Bank e a outras cinco instituições bancárias do país obrigou a Irlanda a pedir um empréstimo à troika de 85 mil milhões de euros em 2010.

Em dezembro de 2013, a Irlanda tornou-se o primeiro dos países da zona euro intervencionados a sair oficialmente do programa de assistência financeira.