Os utentes da A25, A23 e A24 disseram esta terça-feira esperar que as conclusões do grupo de trabalho para as infraestruturas de elevado valor, que apontam vários constrangimentos criados pelas portagens, levem o Governo a suspender o pagamento.

«O Governo nem sequer tem de pensar em repor isenções ou o que seja. O Governo tem de olhar para estas conclusões e perceber que tem de por fim a este roubo que está a desgraçar um conjunto largo de empresas e de pessoas», referiu hoje, em declarações à agência Lusa, o porta-voz da comissão de utentes daquelas autoestradas, Francisco Almeida.

Reivindicação que também é repetida por Luís Veiga, porta-voz do movimento Empresários pela Subsistência do Interior, que, todavia, assume a «reduzida probabilidade de que tal aconteça», pelo que considerou que «pelo menos» se deveriam introduzir «medidas de discriminação positiva, como a de isenção no Interior».

«Penso que no Interior é indispensável que haja, pelo menos, isenção de portagens, até porque há uma razão mais do que justificável para isso: não há alternativas à utilização das ex-scut e é importante que todos saibam isso», sublinhou Luís Veiga, em declarações à Lusa.

Estes dois representantes não estão surpreendidos com as conclusões do relatório e mostram-se esperançados de que o documento mude a situação.

«É caso para dizer que descobriram a pólvora. Já há muito que dizemos, e mostramos com exemplos práticos, o mal que as portagens fizeram às empresas e às pessoas da região. É preciso ver que nem todos podem trabalhar à porta de casa e que agora têm de enfrentar mais este custo, porque não há alternativas», sublinha Francisco Almeida.

Argumentos que são reiterados por Luís Veiga, que recordou que antes do estudo agora apresentado, já o movimento do qual é porta-voz tinha elaborado um outro estudo, que apresentava conclusões similares, como a de que «o Interior passou a ter um custo adicional dos produtos», de que as «empresas perderam competitividade por terem de enfrentar mais este custo extra» e que a região passou a ter «menos atratividade turística».

Razões que, de acordo com o porta-voz daquele movimento «já eram suficientes para que o Governo tivesse agido».

«Como tal não aconteceu», Luís Veiga espera agora que, «tendo caráter mais oficial», o novo documento «dê o conforto necessário ao Governo para tomar decisões»; que seja, como disse Francisco Almeida, «mais uma campainha» que se junta à voz dos utentes, como conta a Lusa.

O documento, que foi recebido pelo primeiro-ministro na segunda-feira e que entra em debate público na quarta-feira, diz, relativamente às portagens, que "as tarifas praticadas permitem cobrir custos de operação e exploração apenas em situações de elevada procura, o que não se verifica nas estradas concluídas na última década ou ainda a construir".

Sem referir especificamente as ex-scut, o grupo de trabalho, liderado pelo presidente da Associação Industrial Portuguesa, José Eduardo de Carvalho, aponta também que o "custo rodoviário para o transporte internacional, nas suas principais vias de saída de Portugal, é agravado com taxas (portagens que encarecem o custo do produto) e acrescenta que "o preço elevado das autoestradas tem impacto significativo na estrutura de custos e dos agentes económicos com o respetivo incremento dos preços dos produtos e perda de competitividade".