O dirigente da UGT José Abraão questionou esta sexta-feira a aparente «fixação do Governo nos reformados e pensionistas», considerando incompreensível a decisão de alargar a Contribuição Extraordinária de Solidariedade a mais pensionistas e agravar os descontos para a ADSE.

Alargamento de CES e ADSE é «injusto e inconstitucional»

Para José Abraão, que lidera a Federação Sindical da Administração Pública, o anúncio feito na quinta-feira pelo Governo visa «procurar ver se o Presidente da República deixa passar um corte das pensões a um nível mais baixo, através da CES (Contribuição Extraordinária de Solidariedade), do que aquele que já existia».

O sindicalista critica esta medida, considerando revelar uma «fixação enorme nos trabalhadores reformados e pensionistas da administração pública em concreto», que aponta para uma nova «redução do salário por intermédio da ADSE», o que é «completamente inaceitável».

«De cada vez que o Tribunal Constitucional chumba uma medida do Governo, as medidas que vêm a seguir são significativamente piores para os trabalhadores reformados e pensionistas da administração pública», referiu.

José Abraão espera que o Presidente da República «olhe, mais uma vez, para esta situação de que são sempre os mesmos a pagar a fatura».

Para chamar a atenção para a questão, lembrou o sindicalista, a UGT conta reunir com Cavaco Silva, depois de ter pedido uma audiência com caráter de urgência ao Presidente para debater o Orçamento do Estado para 2014, em que «naturalmente estas questões terão igualmente de ser tratadas».

O Governo anunciou na quinta-feira, depois de uma reunião do Conselho de Ministros, a intenção de alargar a aplicação da CES a mais pensionistas e agravar os descontos dos funcionários públicos para a ADSE, como forma de compensar o chumbo do Tribunal Constitucional à questão da convergência de pensões.

«Acho que é incompreensível e vamos procurar contestar estas medidas», garantiu José Abraão, lembrando que os reformados e pensionistas estão a empobrecer, parecendo «até que são os únicos responsáveis pela crise».