Os parceiros sociais disseram esta quarta-feira que a troika mostrou solidariedade institucional com as declarações da diretora-geral do FMI e admitiu os efeitos recessivos da austeridade, mas não revelou abertura para alterar o programa desenhado para Portugal.

«Mostram-se solidários e subscreveram a posição institucional. Mas apesar de reconhecerem que a magnitude dos efeitos recessivos foi maior [do que esperado], não deram a ideia de que vão corrigir a trajetória, o que deixa um amargo de boca», disse o presidente da CIP ¿ Confederação Empresarial de Portugal, António Saraiva, à saída da reunião que juntou a troika, patrões e sindicatos na sede do Conselho Económico e Social (CES), em Lisboa.

Também o secretário-geral da central sindical CGTP, Arménio Carlos, afirmou que o chefe da missão da troika e representante do FMI, Subir Lall, disse estar solidário institucionalmente com Christine Lagarde.

«Mas de solidariedade deste tipo estamos nós fartos»,

afirmou o dirigente sindical.

O secretário-geral da CGTP sublinhou ainda que a troika afirmou que o memorando foi o início de um processo de ajustamento que se vai prolongar, o que foi interpretado como mais cortes no futuro. Estas declarações foram interpretadas pela CGTP como significando que continuará a ser imposta «mais austeridade» e mais «cortes salariais e de pensões» aos portugueses.

Por sua vez, o presidente da Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), Vieira Lopes, afirmou que os representantes se reconheceram nas palavras de Lagarde mas disseram que o programa está a funcionar bem».

O presidente da CIP - Confederação Empresarial de Portugal afirmou que a reunião serviu apenas para «cumprir calendário», mas que ficou surpreendido pelos seus representantes terem tido, desta vez, intervenções menos formais e mais abertas.

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, admitiu na terça-feira, no Parlamento Europeu, que a instituição que lidera errou ao calcular os efeitos da austeridade nos países europeus em maiores dificuldades, sobretudo os efeitos no desemprego e no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).

À entrada para a reunião, todos os parceiros tinham dito que iam confrontar os representantes da troika (Subir Lall, do FMI, Rasmus Ruffer, do Banco Central Europeu, e John Berrigan, da Comissão Europeia) com este ¿mea culpa' de Lagarde.

Este encontro insere-se no âmbito do décimo exame regular ao programa de ajustamento que a troika está a levar a cabo, depois de as oitava e nona avaliações terem terminado no início de outubro.

A equipa da troika está em Portugal desde 04 de dezembro.