A Comissão Europeia considerou esta quarta-feira que o sucesso da operação de troca de dívida realizada na terça-feira constitui um «sinal encorajador» e «mais um passo importante» com vista ao regresso de Portugal aos mercados.

«A troca de dívida muito bem sucedida de ontem (terça-feira) é um sinal encorajador da crescente confiança dos investidores em Portugal e mais um passo importante com vista a restaurar o acesso de Portugal a um financiamento sustentável com base nos mercados», comentou hoje o porta-voz dos Assuntos Económicos do executivo comunitário.

Segundo Simon O¿Connor, a operação levada a cabo pelo IGCP, que permitiu a Portugal «empurrar» para 2017 e 2018 cerca de 6,64 mil milhões de euros de dívida que tinha de pagar originalmente em 2014 e 2015, «também contribui para reduzir as incertezas relativamente à cobertura das necessidades de financiamento do país nos próximos dois anos».

«Continuar a implementar de forma apropriada e com determinação o programa de ajustamento, cuja décima revisão tem hoje início, deverá permitir mais emissões de dívida soberana por Portugal nos próximos meses, com vista a prolongar as maturidades da dívida», acrescentou ainda o porta-voz do comissário Olli Rehn.

Na operação conduzida na terça-feira, a Agência para a Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública - IGCP recomprou 837 milhões de euros da linha de obrigações que vencia em junho do próximo ano e 1,64 mil milhões de euros da dívida que vencia em outubro do próximo ano, num total de cerca de 2,5 mil milhões de euros.

Da linha de obrigações que vencia em outubro de 2015, foram recomprados 4,16 mil milhões de euros.

Em troca, o Governo colocou 2,68 mil milhões de euros na linha de obrigações que vence em outubro de 2017, e mais 3,97 mil milhões de euros na linha que vence em junho de 2018.

Portugal tinha cerca de 27 mil milhões de euros para pagar em 2014 e 2015 só em dívida de médio e longo prazo, e acaba por reduzir para menos de 21 mil milhões de euros.

Com esta operação, no próximo ano, quando termina o atual programa de resgate da troika (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) e se espera que Portugal regresse aos mercados para financiar a dívida de médio e longo prazo de forma mais assídua - depois de duas operações realizadas este ano em que testou os mercados -, Portugal fica com menos cerca de dois mil milhões de euros para pagar.

Em 2015 a carga estava concentrada num único mês e é reduzida em cerca de quatro mil milhões de euros, o que permite reduzir o pagamento da linha de obrigações que existia para menos de 10 mil milhões de euros, ao contrário dos 13,4 mil milhões que estavam previstos.