O ministro das Finanças alemão disse esta segunda-feira estar «descansado» com a escolha de Maria Luís Albuquerque para substituir Vítor Gaspar. Wolfgang Schauble acredita que Portugal está no bom caminho e que, com a nova ministra das Finanças, vai manter o rumo.

O próprio presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, mostrou-se satisfeito com o acordo político alcançado em Portugal.

«Nos últimos anos Portugal conseguiu criar circunstâncias muito estáveis. Vítor Gaspar foi um colega extraordinário. Demitiu-se pelas razões que apresentou. Depois disso houve algumas discussões em Portugal, o que não surpreende, pois ele era um ministro das Finanças muito eficaz», disse Schauble, acrescentando que «todos os sinais indicam que eles superaram isso de uma forma muito positiva. No fundo, Portugal está no bom caminho».

À entrada da reunião do Eurogrupo, que decorre esta tarde em Bruxelas e questionado se Maria Luís Albuquerque seria capaz de manter Portugal nesse caminho, o ministro de Angela Merkel não mostrou dúvidas: «Sim, conhecemo-la muito bem, no fundo não é uma mudança. Estou descansado, Portugal vai prosseguir o seu caminho com êxito».

Já o ministro das Finanças francês, diz que Paris está atenta e solidária relativamente à situação política em Portugal.

Pierre Moscovici falava também em Bruxelas, à entrada do encontro do Eurogrupo, que junta os ministros das Finanças da Zona Euro, onde Maria Luís Albuquerque comparece pela na qualidade de ministra das Finanças de Portugal.

Questionado, como a maioria dos seus homólogos, sobre a crise política em Portugal, Pierre Moscovici comentou que se trata de «uma situação política que cabe aos portugueses resolver», mas disse ter a ideia de que «o que se perfila é uma vontade de prosseguir as reformas».

«A França evidentemente está atenta e solidária», concluiu o ministro.

Na reunião desta segunda-feira, Maria Luís Albuquerque deverá colocar os seus homólogos a par a situação portuguesa.

Também o ministro irlandês das Finanças diz que a nova ministra portuguesa não terá quaisquer problemas em representar Portugal no Eurogrupo, pois costumava acompanhar Vítor Gaspar nas reuniões e está «bastante a par» dos dossiers.

Michael Noonan, que presidiu às reuniões de ministros das Finanças da União Europeia (Ecofin), durante a presidência irlandesa da UE, no primeiro semestre do ano, comentava a «estreia» de Maria Luís Albuquerque, que «não é uma estranha» para o fórum dos ministros da Zona Euro, classificando-a mesmo como uma «colega».

«Tem estado no grupo de trabalho (do Eurogrupo) há muito tempo, e acompanhou Vítor Gaspar nos últimos dois anos, é muito próxima de Gaspar e vemo-la como uma colega. Maria Luís Albuquerque está bastante a par dos assuntos, por isso penso que não terá quaisquer problemas em se adaptar, porque já tem vindo a todas as reuniões nos últimos dois anos», salientou Noonan, citado pela Lusa.

Já ao ser interrogado sobre a crise política em Portugal, limitou-se a dizer que não estava a par da «situação doméstica».

O ministro da Economia espanhol saudou o acordo político e a remodelação governamental, já que «a estabilidade política é fundamental», sobretudo num país que tem feito «enormes esforços».

Luis de Guindos, ao ser questionado sobre a situação em Portugal, disse ter a sensação de que a mesma está recomposta, com «uma nova estabilidade», que considerou «fundamental».

«A estabilidade política é fundamental, como todos sabem, e o acordo anunciado, ontem ou anteontem, pelo Governo português só pode conferir estabilidade a um governo, a um país que está a fazer todos os deveres e que está a fazer enormes esforços», e que «merece sem dúvida» a «recompensa» da saída do programa de resgate e regresso aos mercados.