O crescimento de 1,1% registado pela economia nacional no segundo trimestre deste ano, face ao primeiro, é um sinal positivo, mas ainda é cedo para falar de retoma. E há ameaças no horizonte, que podem condicionar o futuro de médio prazo da economia portuguesa, avisa o consultor Filipe Garcia, da Informação de Mercados Financeiros (IMF).

«Este é um número positivo, que de certa forma já era aguardado em função dos indicadores de

atividade que já eram conhecidos, nomeadamente o comportamento das exportações», começa por dizer. «Os números do PIB são corrigidos de sazonalidade, mas o próprio INE destaca que, este ano, a evolução do crescimento está a ser influenciada por um efeito de calendário que beneficia o 2º trimestre em relação ao anterior, sobretudo pela importância que as exportações têm ganho no cenário atual».

Por isso mesmo, Filipe Garcia mostra-se também cauteloso: «Mais do que uma inversão de ciclo, para já apenas podemos falar em tentativa de estabilização da economia portuguesa. O comportamento das exportações tem sido positivo, mas é cedo para se concluir que a procura interna irá recuperar de forma sustentável. Os números mais recentes do comércio internacional também já mostravam uma estabilização das importações, o que aponta para uma normalização na evolução do consumo privado e do investimento».

Mas o ambiente externo não é tudo. Por isso, e mesmo assumindo que o contexto internacional seja favorável, continuam a existir riscos.

«Os grandes riscos estão relacionados com 2014, nomeadamente com a aplicação de um Orçamento 2014 que deprima a procura interna como resultado da reforma do Estado ou de novas medidas de austeridade. Será também em 2014 que se levantarão mais dúvidas sobre a capacidade de Portugal voltar aos mercados. Dado que se prevê que o país venha a garantir uma linha de crédito preventiva,

pode ser necessário implementar mais medidas de consolidação orçamental», conclui.

Mas o consultor do IMF não é o único a considerar que, apesar de ser um sinal positivo, este crescimento requer prudência. Também a Universidade Católica, na sua análise, considera ser cedo para falar em inversão do ciclo económico.

O próprio Governo, pela voz dos ministros Marques Guedes e Poiares Maduro, tinha já pedido cautela. Prudência pediu também o ministro da Economia, Pires de Lima, apesar de admitir que existem vários sinais de que estaremos num momento de «viragem económica».

Menos otimistas mostraram-se a CGTP e outros parceiros sociais, para quem os números apenas mostram que o país continua em recessão.

De Bruxelas chegou mais água para a fervura: o comissário europeu Olli Rehn fez questão de sublinhar que «a crise ainda não acabou.