Portugal paga os juros mais baixos da sua vida pública, afirmou esta quarta-feira o primeiro-ministro, acrescentando que o país não pode deixar de pagar o que pediu emprestado aos parceiros europeus sob pena de seguir o caminho da Grécia.

«Portugal já paga os juros mais baixos da sua vida pública» e «não pagar significa pedir aos países do euro que paguem eles o dinheiro que nos emprestam», disse, falando numa conferência da Associação Industrial de Portugal (AIP), em Lisboa.

«Temos condições de financiamento que são iguais àquelas que o mecanismo (europeu) que levanta dinheiro para emprestar enfrenta. Mais que isso é pedir a uma pessoa amiga que levante dinheiro e que pague juros por nós», acrescentou Pedro Passos Coelho.

«A Grécia é caso extremo que Portugal não seguirá. Não há razão para reivindicar condições tão radicais», considerou ainda.

Sobre o Orçamento do Estado para 2014 (OE2014), que está a ser preparado pelo Governo, o chefe do Governo diz que «irá traduzir um equilíbrio procurando não travar a evolução económica que já teve início».

«Quando ontem referi um choque de expectativas, referia-me justamente a isto. Não há razão para esperar que o Orçamento do Estado seja um Orçamento que não leve mais longe a reforma do défice estrutural e nominal», explicou.

«É isso que está acordado com os credores e sobretudo é disso que precisamos», sob pena de pagarmos um preço «consideravelmente superior».

Num claro recado ao líder do PS, António José Seguro, o primeiro-ministro considerou que quem acena «com a possibilidade de indisciplina financeira para encontrar formas mais amigas para proceder à consolidação orçamental não estão a passar uma mensagem séria».

«A confiança e a credibilidade não se conseguem com intenções vagas», acrescentou.

Passos Coelho quis ainda sublinhar, na presença de 1.800 empresários, o mérito das empresas portuguesas, que souberam enfrentar a crise e crescer apesar dela, cá dentro e lá fora.

«As exportações passaram de 28% do PIB em 2009 para ligeiramente mais de 40% deste produto no segundo trimestre de 2013, facto único na economia portuguesa de há várias décadas a esta parte», lembrou. «Trata-se de um dado particularmente expressivo, que bem reflete a dimensão do ajustamento do nosso tecido empresarial ao vetor exportador e, bem assim, a dimensão do esforço que lhe está associado».