Passos Coelho «nunca interferiu na atividade do Grupo Espírito Santo». O esclarecimento foi feito pelo gabinete do primeiro-ministro esta quarta-feira.

«O Gabinete do Primeiro-Ministro nega categoricamente que o Chefe do Governo tenha dado qualquer tipo de indicação ou orientação, de forma direta, através do Banco de Portugal ou por outra via, sobre a composição da equipa dirigente do Grupo Espírito Santo», lê-se na nota enviada às redações.



São Bento teve necessidade de frisar este ponto, dadas as «especulações» que têm surgido na imprensa, e que, critica, «carecem em absoluto de fundamento».

Por isso, reafirma, o chefe de Governo «nunca interferiu na atividade do Grupo Espírito Santo»..

O primeiro-ministro garantiu ainda esta quarta-feira à tarde, em Lisboa, que «nenhuma informação relevante foi ocultada» ao Presidente da República» sobre o caso BES e disse ter a certeza que Cavaco Silva teve «plena ocasião» para colocar as questões que entendesse pertinentes.

Banco de Portugal também faz esclarecimento

Também o Banco de Portugal veio fazer o mesmo: «Tendo em conta a notícia hoje publicada, o Banco de Portugal nega que, nos contactos com o Primeiro-Ministro, tenha existido qualquer tipo de indicações ou de considerações sobre a composição dos órgãos dirigentes do Grupo Espírito Santo».

Ambos os esclarecimentos surgem na sequência de uma notícia do jornal «Público», que dá conta que «Passos deu 'indicação' ao GES em 2013 para afastar Ricardo Salgado», sendo que o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, terá sugerido ao primeiro-ministro que Ricardo Salgado «deveria deixar as funções de liderança executiva» do BES. «Uma mensagem que foi então enviada pelo chefe do Governo ao Conselho Superior do GES», lê-se nessa notícia.

Recorde-se que no domingo passado, o Presidente da República disse esperar que o Governo lhe comunique «factos relevantes» logo que tenha conhecimento deles. E, portanto, espera que isso tenha acontecido em relação ao caso BES.

Outro dos desenvolvimentos deste caso surgiu ontem, com o afastamento de Pedro Duarte Neves da pasta da supervisão prudencial do Banco de Portugal. O vice-governador do regulador da banca tem dado a cara na contra-argumentação com a KPMG na atribuição de responsabilidades pelo que (não) se passou com o BES e que foi descoberto tarde demais.