O primeiro-ministro voltou esta sexta-feira a negar que a convergência das pensões da Caixa Geral de Aposentações (CGA) com as do regime geral da Segurança Social se traduza num corte «retroativo» das pensões. Para Pedro Passos Coelho, que falava no debate quinzenal, no Parlamento, o corte é retrospetivo e não retroativo, porque «os pensionistas não terão de devolver nenhuma pensão que receberam».

«O governo não fará nenhum corte retroativo nas pensões», reiterou, em resposta à acusação do PS. O líder socialista, António José Seguro, contestou: «O corte tem efeito nas pensões já existentes. O senhor diz que o corte não é retroativo? Quem é que o senhor quer enganar?»

Acusando o chefe do Executivo de não ter «sensibilidade nenhuma», o líder do PS lembrou que «a reforma não governa apenas a casa dos reformados», mas que muitas vezes serve também para «ajudar muitos filhos e noras».

Recorde-se que a convergência das pensões da CGA com as da Segurança Social resulta num corte de cerca de 10% nas reformas já em pagamento.

«Aquilo que haverá é uma distribuição tão equitativa quanto possível dos sacrifícios», disse ainda Passos Coelho, lembrando que a grande maioria dos pensionistas fica de fora destes cortes.

As declarações de Passos Coelho mereceram ainda críticas de Jerónimo de Sousa, do PCP, e de Catarina Martins, do Bloco de Esquerda.

«O cisma grisalho só é cisma quando é para o sector privado, não é para o sector público. Não há, pelos vistos, linhas vermelhas», disse a deputada bloquista, referindo-se ao corte retroativo de pensões. «A linha vermelha das pensões vai ser ultrapassada neste Orçamento do Estado», concluiu.