O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, sustentou esta segunda-feira que nos últimos três anos os principais desequilíbrios de Portugal foram corrigidos e reiterou a possibilidade de uma revisão em alta das perspetivas de crescimento económico.

Passos Coelho exclui segundo resgate a Portugal

Durante uma visita ao Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas (SISAB), em Lisboa, que durou perto de duas horas e meia, em que conversou com vários empresários portugueses, Passos Coelho disse que «as coisas estão a melhorar» e falou em «fase de retoma», embora ressalvando que não é caso para «deitar foguetes».

O chefe do executivo PSD/CDS-PP elogiou os empresários portugueses e pediu-lhes que não desinvistam das exportações em função da evolução da procura interna: «Isso não nos pode fazer desviar do objetivo de, até 2015, conseguir quase metade, neste caso, 45% do peso das exportações no produto, e um pouco mais de metade, 52%, até 2020».

Ao passar por uma banca com bolas anti-stress em forma de laranja, o primeiro-ministro comentou: «Isto é bom para os homens que andam com muita tensão. O meu amigo vai ter oportunidade de distribuir estas laranjinhas especiais por muitos políticos que andam ansiosos».

«Não vou precisar dela, mas espero que elas tenham muita saída porque nós precisamos de gente que se saiba controlar e que não viva com demasiada ansiedade», reforçou.

Questionado, depois, pelos jornalistas, Passos Coelho recusou «particularizar» o destinatário desta mensagem e aproveitou para fazer um balanço positivo dos últimos três anos.

«Nós vivemos durante três anos momentos de realmente muito stress, stress financeiro, stress psicológico também, porque nós tivemos três anos para mostrar o que valíamos. E, ao fim desse período, ou teríamos conseguido corrigir os principais desequilíbrios, como fizemos, e angariar o mínimo de confiança nos mercados para poder fechar este período e abrir um outro, como estamos a fazer, ou então teríamos tido uma oportunidade perdida», afirmou.

A meio desta visita, à conversa com o empresário Paulo Júlio, ex-secretário de Estado da Administração Local, Passos Coelho falou mais prolongadamente da situação económica, declarando: «Eu espero que nós também possamos ter uma revisão em alta das nossas perspetivas de crescimento em Portugal».

«Não será uma coisa significativa, mas ajuda a coroar este bom desempenho que a economia vem demonstrando nos últimos trimestres, sobretudo nos últimos meses do ano. Havia um pouco de dúvida se conseguiríamos ou não manter o mesmo perfil, mas conseguimos, e isso tem um efeito por arrastamento muito positivo para o ano de 2014», considerou.

Durante esta visita, o primeiro-ministro também trocou algumas palavras com estrangeiros que visitaram o SISAB e tirou fotografias com alguns deles.

Passos Coelho referiu que era adepto do Benfica, ao passar por uma mesa de matraquilhos, e mais à frente recebeu um cachecol da seleção nacional de futebol, de um dos seus patrocinadores, o que o levou a fazer uma breve análise sobre a sua possível prestação no mundial de futebol do Brasil.

«Temos talvez uma das melhores equipas de sempre», considerou. «Torcer, vamos torcer seguramente, mas eles têm boas condições para irem longe. Também é preciso um bocadinho de sorte. Espero que possam ir tão longe quanto possível», completou.