A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) antecipa que a dívida pública de Portugal continue a subir pelo menos até 2015, alertando que «existe um risco de deflação», o que dificultará ainda mais a redução da dívida.

De acordo com o Economic Outlook da OCDE, hoje divulgado, a dívida pública portuguesa, segundo os critérios de Maastricht, deverá atingir os 130,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2014 e voltar a subir em 2015, para os 131,8%.

Esta previsão contraria o otimismo do Governo, que espera que a trajetória em alta da dívida pública comece a inverter-se em 2015: no Documento de Estratégia Orçamental (DEO), divulgado na semana passada, o Executivo previa que, depois de chegar aos 129% do PIB em 2013, a dívida pública atingisse os 130,2% em 2014, recuando para os 128,7% no próximo ano.

A organização liderada por Angel Gurría alerta ainda que «existe um risco de deflação» em Portugal, cuja concretização «iria tornar a redução da dívida mais difícil».

A OCDE estima que o índice harmonizado dos preços ao consumidor (HIPC) recue 0,3% em 2014 e que aumente 0,4% em 2015.

Quanto ao défice orçamental, a OCDE estima que «as metas do défice [orçamental] de 4% e 2,5% acordadas com a troika [Fundo Monetário Orçamental, Comissão Europeia e Banco Central Europeu] para 2014 e 2015, respetivamente, deverão ser alcançadas».

No entanto, considera que as autoridades portuguesas devem permitir que os estabilizadores automáticos (como os subsídios de desemprego, por exemplo) «operem totalmente, mesmo que isso signifique alguma derrapagem em relação aos objetivos do défice, caso haja um crescimento menor do que o antecipado».