O secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Bruno Maçães, defendeu hoje em Boston, nos Estados Unidos, que «não há dúvida de que Portugal vai sair do resgate com sucesso».

«Foram certamente tomadas decisões erradas ao longo do caminho, mas este é o momento apropriado, em que Portugal chega ao fim do seu programa e não há dúvida de que vai sair do resgate com sucesso», disse o secretário de Estado numa conferência na Universidade de Boston sobre o futuro da Europa.

«É um momento muito bom para estar aqui a falar da zona euro, da crise e de como Portugal está a sair dela. Não quero ser muito definitivo ao dizer que a crise acabou, mas já temos bons resultados para mostrar os nossos esforços durante os últimos três anos», disse o governante.

Maçães lembrou que, há apenas dois anos, muitos anunciavam o colapso eminente da zona euro.

«Lembro-me de ler alguns artigos sobre isto no Financial Times», disse.

Para o secretário de Estado, "o que aconteceu na Europa nos últimos dois anos foi que todos foram capazes de admitir que a zona euro fora construída sob fundações instáveis e imperfeitas e começaram um processo em que essas fundações foram revistas e aperfeiçoadas."

Maçães defendeu que a união bancária é um passo fundamental para a união, especificamente para Portugal, e considerou este avanço como "o maior feito desde a moeda única, e, em alguns aspetos, um feito ainda maior."

Na conferência moderada pelo jornalista Alan Berger, Bruno Maçães defendeu que, agora que a união bancária está em marcha, o tema da união fiscal deverá começar a dominar o debate sobre o futuro da Europa.

«[O ministro das Finanças alemão] disse que talvez devêssemos ter um orçamento da zona euro, que seria diferente do orçamento da União Europeia (UE) e assente em diferentes princípios. Ele também sugeriu que devíamos ter um comissário do orçamento da UE com poderes sobre os orçamentos nacionais. Isto seriam os primeiros passos rudimentares para uma união fiscal», explicou Maçães, acrescentando não ter a certeza de que esses passos são necessários.

«Ter alguém em Bruxelas a tomar decisões importantes sobre escolhas orçamentais é algo que, quando tento imaginar o futuro, me parece funcionalmente difícil», concluiu o secretário de Estado em decarações recolhidas pela Lusa.