Este ano, de acordo com dados do Banco de Portugal foram levantadas mais de um milhão de notas de 500 euros em Portugal. São 522 milhões de euros a circular. O valor representa um aumento de 50% em relação a 2012 e, segundo avança o semanário «Sol», as autoridades estão preocupadas com o fenómeno.

Questionado pelo «Sol», o Banco de Portugal acredita que, o aumento da procura destas notas, pode significar que os portugueses estão a pôr dinheiro «debaixo do colchão». No entanto, o Observatório de Economia e Gestão de Fraude tem outra opinião. Óscar Afonso, vice-presidente deste organismo diz ao semanário que «o uso de notas de montante elevado deverá estar associado ao fenómeno de economia não registada, nas usas vertentes subdeclarada e ilegal».

De janeiro a novembro as instituições financeiras entregaram aos clientes mais de um milhão de notas de 500 euros, mais 50% que em 2012. Sendo que os depósitos, com as mesmas notas, não registaram um aumento semelhante.

A «Serious Organised Crime Agency», o serviço de investigação de crimes de «colarinho branco» no Reino Unido, estima que 90% das notas de 500 euros estejam nas mãos do crime organizado e de quem quer fugir ao fisco, escreve o «Sol».

60% das moedas que circulam em Portugal são estrangeiras

Também de acordo com dados do Banco de Portugal, 50% das moedas a circular em território nacional têm cunho estrangeiro, sobretudo de Espanha, França e Alemanha. Quanto mais valiosa a moeda, maior a probabilidade de ser estrangeiro. 84% das moedas de dois euros a circular em terras lusas não são portuguesas.

Aumento de moedas falsas

Apesar da contrafação de notas estar a diminuir, no primeiro semestre deste ano, o Banco de Portugal registou um fenómeno pouco habitual: duplicou a quantidade de moedas falsificadas. Foram retiradas de circulação 2 851 moedas, a maioria de dois euros. Isto representa um aumento de 91,2%, muito acima dos 6,22% da zona euro. Em relação à notas, registou-se uma queda de 12%, com 6 190 notas detetadas.