O presidente da TAP, Fernando Pinto, não afasta continuar à frente da companhia aérea após a privatização, operação que acredita que vai passar imune aos atuais constrangimentos que a transportadora atravessa devido à falta de aviões.

«O meu sonho é ver a TAP bem privatizada, com o futuro garantido. Isso é o mais importante de tudo e a minha vontade é fazer parte deste processo», reafirmou Fernando Pinto, em entrevista à Lusa, admitindo, no entanto, que a continuação na companhia vai depender de vários fatores.

«Tudo depende como é que foi a operação [depois de ser privatizada], para quem [foi vendida] e se ainda vou ser necessário ou julgar que vou ser necessário», explicou o responsável, que tem dito sempre que fica aos comandos da transportadora até esta ser privatizada.

Questionado se as atuais perturbações que a companhia atravessa - com um índice de cancelamentos de voos de 2% em junho e julho, por exemplo, sobretudo pela falta de aviões podem desvalorizar a empresa num processo - de privatização, Fernando Pinto foi perentório. «A isso, respondo com toda a tranquilidade: efeito zero em cima do custo de uma empresa».

«Numa empresa a valorização dela é dada por outros fatores e a TAP é reconhecida como uma empresa, com todos os altos níveis de padrões. Uma coisa interessante: somos das primeiras empresas a receber o certificado IOSA [IATA Operational Safety Audit] entre todas as empresas do mundo», sublinha Fernando Pinto.

O IOSA é uma auditoria da IATA sobre segurança operacional. «Fomos dos primeiros a dar este passo, quisemos ser auditados. Passámos com louvor e, por acaso, há dez dias atrás terminámos mais uma auditoria. Terminámos com louvor. [Não temos] nenhuma pendência e toda a empresa é analisada, a manutenção, as operações, a estrutura de suporte da empresa, é muito bem feito. A TAP tem sido uma referência e continua sendo», explicou.

O gestor garante ainda que a TAP está preparada para avançar com privatização, «sem dúvida nenhuma», o Governo «tem todo o interesse em ter a TAP cada vez mais valorizada», por isso está à espera da «hora certa para fazer a operação».

Já sobre se espera mudanças num cenário de potenciais interessados na compra da companhia, Fernando Pinto começa por dizer que «o mundo não mudou muito de lá para cá», mas que «só quando o Governo disser vamos para a frente é que as coisas realmente vão aparecer».

Sobre os resultados da companhia no primeiro semestre, o presidente da TAP disse que ainda não estão fechadas as contas, mas que «os números de vendas foram muito positivos, acima do que era previsto».

Assim, a expectativa de fecho do ano mantém-se em resultados positivos, «melhores do que no ano passado».

Quanto à VEM, a manutenção no Brasil, refuta as críticas de que seja esta empresa a responsável pelos problemas financeiros da TAP e refere que, «em princípio, no ano que vem» a VEM atingirá o equilíbrio.