O diretor do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS), Paulo Gorjão, considera provável que haja um «atenuar» da política de austeridade na Europa com a constituição de um novo Governo alemão.

«Tudo indica, e era essa a expectativa, nomeadamente em Portugal, que, depois de resolvida as eleições alemãs, e independentemente do resultado e da coligação que se venha a constituir, haja um atenuar na orientação mais rígida, a famosa política de austeridade», afirmou Paulo Gorjão, em declarações à Lusa.

A chanceler alemã Angela Merkel venceu as legislativas de domingo, com o partido conservador CDU/CSU a conseguir 41,5% dos votos, indicam resultados oficiais provisórios hoje divulgados.

O partido social-democrata SPD, com o qual Angela Merkel poderá formar uma coligação governamental, conseguiu 25,7% dos votos, de acordo com os mesmos dados.

Segundo o diretor do IPRIS, «evidentemente que uma coligação eventual com o SPD facilita e força um pouco mais essa orientação [atenuar da política de austeridade]».

«Mas nunca será uma mudança de 180 graus. Serão pequenas afinações no tempo e em função da própria evolução da situação política europeia», disse.

Os resultados obtidos por Merkel ¿ além de constituírem os melhores para o seu partido desde a reunificação alemã em 1990 ¿ mostram que esteve muito perto de conquistar a maioria absoluta.

Para Paulo Gorjão, este é um resultado que não deixa margem para dúvidas quanto à vontade do eleitorado em prosseguir o caminho proposto.

O especialista recordou que a Alemanha «não tem tradição da constituição de governos com maiorias relativas».

«Uma coligação natural não é possível, uma vez que o anterior parceiro de coligação não teve os votos suficientes para ter representação parlamentar», referiu.

O aliado liberal FDP, na coligação governamental cessante, foi afastado da câmara baixa do parlamento (Bundestag), pela primeira vez na história da República Federal da Alemanha, por só ter conseguido 4,8% dos votos, ficando aquém dos 5% necessários para ter representação parlamentar.

Assim sendo, segundo Gorjão, «o parceiro provável nestas circunstâncias será o SPD».