A fraude com cartões bancários tem vindo a diminuir desde 2007 devido aos avanços da tecnologia, sendo mais de metade registada em transações na Internet, segundo um relatório do Banco Central Europeu (BCE).

Em 2011, o volume total de fraude nos 32 países pertencentes à Área Única de Pagamentos em Euros (SEPA) ascendeu a 1,16 mil milhões de euros (menos 5,8% do que em 2010), dos quais 56% resultaram de pagamentos sem apresentação física de cartão (por correio, telefone ou Internet).

Este tipo de fraude, designado por CNP (card-not-present) tem vindo «a registar uma trajetória ascendente» e um aumento, em termos absolutos, de 648 milhões de euros, em 2010, para 655 milhões, em 2011.

A maioria destes pagamentos (73%) foi feita através da Internet. No caso dos cartões de crédito e de débito diferido, usados sobretudo em transações na Internet e transfronteiras, um em cada 1100 euros (0,09%) foi usado numa transação fraudulenta.

Um quarto das fraudes com cartões aconteceu nos pontos de venda e cerca de um quinto nas caixas automáticas (Multibanco).

O relatório do BCE justifica a tendência de diminuição da fraude com as melhorias verificadas na segurança dos cartões, destacando a adoção generalizada dos chips como a mais importante.

Porém, a fraude está a migrar para países onde esta tecnologia não está tão desenvolvida.

Em 2011, cerca de 78% do total da fraude com cartões falsificados ocorreu fora da SEPA.

Entre 2007 e 2011, o montante global das fraudes diminuiu 7,6%, enquanto o valor total das transações aumentou 10,3%, atingindo quase 3,3 biliões de euros por ano.

Em termos relativos, a percentagem de fraude em relação ao total das transações caiu para 0,036% em 2011, comparativamente aos 0,040% em 2010 e 0,044% em 2007.

O relatório foi elaborado pelo Eurosistema (o BCE e os 17 bancos centrais nacionais da zona euro) e usou dados de 25 sistemas de pagamento com cartões em 32 países, os 27 Estados-membros da União Europeia, mais a Islândia, o Liechtenstein, o Mónaco e a Suíça.

Portugal é, num conjunto de 32 países, o quarto maior utilizador de cartões bancários, mas surge no final da tabela quanto à percentagem de fraudes em proporção das transações, segundo um relatório do Banco Central Europeu publicado hoje.

O relatório do BCE mostra que existem grandes variações nos países da União Europeia quanto à utilização de cartões bancários, entre um mínimo de 0,6 cartões por habitante da Roménia e os 3,3 do Luxemburgo, o número de pagamentos por ano e por habitante, que vão dos 16 da Roménia aos 236 da Finlândia, enquanto o valor das transações vai dos 12.738 euros do Reino Unido aos 1.294 da Roménia.

Portugal, com uma média de 1,9 cartões por habitante, surge em quarto lugar, a seguir ao Luxemburgo (3,3), Reino Unido (2,3) e Suécia (2,1) e acima da média da União Europeia (1,4). Surge em sétimo lugar no que diz respeito ao número de pagamentos por ano e por habitante (158) e em décimo no que diz respeito ao valor das transações, com 8.067 euros.