O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, considerou esta sexta-feira no parlamento que é «muito provável» que o Banco Espírito Santo (BES) faça um novo aumento de capital com recurso exclusivo a investidores privados.

«É muito provável que haja uma solução privada para o reforço de capital», afirmou o responsável na sua audição na comissão do Orçamento e Finanças.

Segundo o governador, «as interações entre o BES e bancos de investimento internacional levam a pensar que há interessados» em entrar no capital do banco agora liderado por Vítor Bento.

O governador realçou que o BES, atualmente, cumpre os rácios de capital exigidos pelos reguladores (português e europeu), mas sublinhou que «um banco que cumpre os rácios, não é necessariamente um banco que não tenha necessidade de cuidar do seu capital».

E reforçou: «Um banco que passou por uma dificuldade tem todo o interesse em convidar os seus acionistas a colocar mais capital para dar um sinal de confiança aos investidores».

Carlos Costa salientou que «é desejável, interessante e importante que haja uma operação que reforce a credibilidade do banco», até porque «o reforço das 'almofadas' de capital serve para salvaguardar o 'rating' [avaliação] e a reputação» da instituição.

O governador acrescentou ainda que «é desejável que um ou dois acionistas importantes entrem no banco para demonstrar confiança».

E revelou que «há manifestações de interesse que têm credibilidade», mas que só serão concretizadas depois de «ultrapassadas todas as incertezas».

Ainda assim, «se fosse necessário e em último recurso, tal como disse ontem [quinta-feira] aqui a ministra das Finanças, há uma linha de assistência ao setor financeiro, que tem disponíveis 6,4 mil milhões de euros».