O Banif anunciou esta segunda-feira, em sessão na bolsa de Lisboa, a conclusão da operação de aumento de capital de 138,5 milhões de euros, que torna o Estado acionista minoritário da instituição em termos de direitos de voto.

«Com esta operação, finaliza-se o aumento de capital com que o Banif se tinha comprometido com o Estado. Isto significa a devolução do Banif ao setor privado, os privados passam a ter a maioria dos direitos de voto», disse o presidente executivo do banco, Jorge Tomé, na sessão na bolsa de Lisboa.

Em janeiro de 2013, o Estado injetou 1.100 milhões de euros no Banif para o recapitalizar, sendo 400 milhões de euros em obrigações convertíveis em ações (as chamadas CoCo bonds, pelas quais paga juros anuais que começam a 9,5%) e 700 milhões de euros em ações, deixando o Estado com o controlo de cerca de 99% da instituição.

Em troca, o Banif ficou obrigado a fazer pagamentos regulares ao Estado para recomprar as CoCo (já tendo recomprado 275 milhões de euros e querendo recomprar mais 125 milhões de euros nos próximos meses) e a realizar um aumento de capital de 450 milhões de euros para sair do controlo público.

A conclusão deste aumento de capital, em que a procura superou a oferta em 141%, significa o concretizar desse objetivo, com o Estado a ver a sua participação reduzida a 60,5% do capital e cerca 49% dos direitos de voto.

A data de liquidação das novas ações ocorre a 4 de junho, quarta-feira, e começam a negociar em bolsa a 06 de junho, sexta-feira

O Banif fica com mais de 30 mil acionistas (entraram mais de 6.000 novos nesta operação) e com uma capitalização de mercado que ultrapassa os 500 milhões de euros.

Jorge Tomé disse aos jornalistas que os acionistas de referência (herdeiras de Horácio Roque e grupo Auto-Industrial) foram ao aumento de capital, mas não precisou com que posições ficaram.