O Banco de Portugal prevê para este ano uma contração de 1,6% na economia nacional, uma expetativa mais otimista que a do próprio Executivo, que aponta para uma recessão de 1,8%.

«As atuais estimativas apontam para uma contração do PIB de 1,6% em 2013 (-3,2% em 2012). A informação relativa ao segundo trimestre de 2013 e os indicadores disponíveis para o terceiro trimestre sugerem que se poderá estar a iniciar um processo gradual de recuperação económica», escreve o Banco de Portugal (BdP) no Boletim Económico de Outono.

«A atual estimativa tem implícita uma continuação do aumento da taxa de variação homóloga, que deverá regressar a valores positivos no final do ano», avisa.

A contração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013, explica o banco central, «combina uma nova contração da procura interna decorrente dos efeitos sobre o rendimento e a procura da continuação do processo de consolidação orçamental e de redução do endividamento do setor privado, com um crescimento robusto das exportações».

A evolução das exportações, num contexto de evolução desfavorável da procura externa, «determinou ganhos expressivos de quota de mercado pelo terceiro ano consecutivo, o que traduz uma capacidade notável de adaptação do setor produtivo português», elogia.

A inflação deverá cair para valores inferiores a 1% em 2013. «A manutenção de baixas pressões inflacionistas reflete uma forte moderação salarial e a queda dos preços das matérias-primas e das importações de bens não energéticos num ambiente internacional deprimido», explica o banco.

Esta evolução dos preços tem implícito «um alargamento das margens de lucro agregadas que, por refletir alterações importantes na estrutura empresarial portuguesa, constitui parte fundamental do reequilíbrio dos balanços do setor empresarial», justifica.

Mercado de trabalho continua a piorar

No que toca ao mercado de trabalho, o Banco de Portugal diz que as condições continuaram a deteriorar-se em 2013, apesar de se ter observado «alguma reversão no 2º trimestre».

«A taxa de desemprego aumentou no 1º semestre e o desemprego de longa duração atinge já 60% do total de desempregados», sublinha.

Dados disponíveis apontam para cumprimento do défice

Relativamente à meta de défice, o Banco de Portugal (BdP) dá como boa a informação do Governo. «A orientação da política orçamental manteve-se restritiva em 2013 e a informação disponível aponta para o cumprimento do objetivo para o défice orçamental», que é de 5,5% do PIB.

«A consolidação orçamental ocorrida no período 2011-2013 (...) constitui um dos elementos mais importantes do processo de ajustamento da economia portuguesa, sendo indispensável para um crescimento sustentável», explica o Banco de Portugal lembrando que, entre 2011 e 2013, a economia portuguesa passou de uma situação de necessidade líquida de financiamento externo de cerca de 10% do PIB para um excedente de 3%, o que constitui uma das características mais importantes do processo de ajustamento».