O Governo desvalorizou esta quinta-feira o apoio dado por figuras internacionais ao chamado Manifesto dos 70 para a reestruturação da dívida, dizendo que a única questão que poderia ter relevo era se algum dos signatários fosse uma entidade credora do país.

Manifesto com apoio de 74 economistas estrangeiros

«A única questão que pode ter relevo aqui é se alguma dessas entidades é credora. Se não forem credores internacionais, a opinião internacional para uma matéria como esta não parece que seja de muito relevo para o nosso país. Se forem credores com certeza que seria importante», declarou o ministro da Presidência e dos Assuntos Parlamentares, Luís Marques Guedes, no final da reunião de hoje do Conselho de Ministros.

O Manifesto dos 70, que apela à reestruturação da dívida pública recebeu o apoio de mais de 70 personalidades estrangeiras, na maioria economistas de renome internacional.

De acordo com a edição de hoje do jornal Público, o manifesto subscrito por 74 personalidades «transpôs a fronteira e já recebeu o apoio de economistas de 20 nacionalidades, dos EUA à Alemanha».

«São economistas, muitos com cargos de relevo em instituições internacionais como o FMI, editores de revistas científicas de economia e autores de livros e ensaios de referência na área», entre os quais Marc Blyth, da Universidade Brown, nos Estados Unidos, autor daquele que foi considerado pelo Financial Times como o melhor livro de 2013, o «Austeridade», revela o jornal.

O denominado Manifesto dos 70, tornado público há cerca de uma semana, é assinado por figuras da política de esquerda e de direita, como os ex-ministros das Finanças Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, por Francisco Louçã, António Saraiva, Carvalho da Silva, Gomes Canotilho, Sampaio da Nóvoa, além de empresários e economistas, e pretende ser «um apelo de cidadãos para cidadãos», explicou, na altura, João Cravinho à agência Lusa.