A UTAO estimou, esta sexta-feira, que o valor da «almofada financeira» pode ser «elevado» face às necessidades de financiamento de curto prazo, mas defendeu que essa opção tem benefícios na confiança dos investidores e no risco atribuído ao país.

Na nota mensal sobre a dívida pública da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), a que a Lusa teve acesso, os técnicos independentes que apoiam o Parlamento referem que «o saldo de tesouraria poderá ser considerado elevado face às necessidades de financiamento de curto prazo ou quando comparado com o verificado nos anos anteriores à crise da dívida soberana».

Indicando que os depósitos das administrações públicas se mantiveram «em níveis relativamente elevados», atingindo os 23,2 mil milhões de euros no final de janeiro, a UTAO destacou que, para avaliar o custo desta «almofada financeira», deve considerar-se que «existe um benefício decorrente de manter um nível mais elevado».

«Esse benefício, praticamente impossível de quantificar, reflete-se ao nível da confiança gerada junto dos investidores», escrevem os técnicos da UTAO, que apontam também que isso pode traduzir-se num «menor risco atribuído ao país e em taxas mais baixas de rendibilidade ou de emissão de dívida pública».

No início de abril, o presidente do IGCP, a agência que gere a dívida pública portuguesa afirmou no Parlamento que a «almofada financeira» de 2013 custou ao Estado 435 milhões de euros, estimando, no entanto, que o custo da deste ano «já desceu».

«Se olharmos para a composição do financiamento - 60% de Bilhetes do Tesouro e 40% de Obrigações do Tesouro - isso dá, para 2013, [um custo de] 2,9% de 15 milhares de milhões de euros», o que representa um custo de 435 milhões de euros, afirmou João Moreira Rato, apresentando contas que excluem a parte do resgate atribuída à banca e que ainda não foi utilizada (6,4 mil milhões de euros).

Para 2014, «este custo [da almofada financeira] já desceu para cerca de 2,1%», acrescentou Moreira Rato, referindo que a «almofada financeira» prevista para 2014 é de sete mil milhões de euros, mas que espera conseguir uma reserva maior, «à volta de 10 mil milhões de euros».

Ao optar por construir uma «almofada financeira» através de depósitos no Banco de Portugal e nos bancos comerciais, o Estado continua a ter de se financiar em Bilhetes do Tesouro (BT) e Obrigações do Tesouro (OT) a uma taxa de juro superior à que recebe por esses depósitos. É dessa diferença que resulta o custo da almofada financeira do Estado.