O ministro da Economia, António Pires de Lima, defendeu esta quinta-feira que «o ajustamento salarial feito no setor privado» em Portugal foi «o suficiente» e que a competitividade das empresas está «bem demonstrada» pelo aumento das exportações.

Bruxelas defende cortes salariais adicionais de 5%

Estas posições do governante português foram assumidas aos jornalistas à margem do Conselho da Competitividade, em Bruxelas, depois de questionado sobre se concorda com uma descida adicional próxima de 5% nos salários médios em Portugal, defendida pela Comissão Europeia no relatório da décima avaliação.

«A posição do Governo português nesta matéria é aquela que tem vindo a ser defendida nas avaliações da troika, entendemos que o ajustamento salarial feito no setor privado foi o suficiente através das regras que implementámos nas leis laborais», afirmou Pires de Lima, citado pela Lusa.

O responsável pela pasta da Economia deixou ainda uma crítica à oposição política em Portugal: «A competitividade da nossa economia está bem demonstrada na evolução que temos tido nas exportações, que eu admito que alguns agentes internacionais a desvalorizem mas, repito, tenho muita dificuldade em compreender como entidades políticas portuguesas a continuam a desvalorizar».

No relatório divulgado hoje, a Comissão Europeia afirmou que o Governo vai avançar com uma revisão da tabela salarial da função pública até ao final deste ano, que será complementar aos cortes salariais já aplicados, apesar de o Governo ter retirado do Orçamento, e que a nova Contribuição Extraordinária de Solidariedade (CES) deve entrar em vigor em abril.

Além disso, Bruxelas revelou preocupação com o plano de redução de despesas nos ministérios e sublinhou que para a capacidade de cumprir as metas de cortes é crucial que sejam respeitados integralmente os limites de despesa que foram impostos.