A ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, disse esta quarta-feira em Paris, antes de uma reunião do órgão máximo diretivo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que a dívida portuguesa é sustentável.

Maria Luís Albuquerque respondia a uma pergunta dos jornalistas sobre os riscos da dívida numa altura em que Portugal está próximo do final do programa de ajustamento.

«A dívida portuguesa é sustentável», acrescentou. «O tema nem se coloca de todo», acrescentou.

As declarações de Maria Luís Albuquerque surgem um dia depois de ter sido conhecido um manifesto, assinado por 70 personalidades, a pedir a reestruturação da dívida.

O manifesto, revelado pelo jornal Público na terça-feira, assinado por figuras da política de esquerda e de direita, como os ex-ministros das Finanças Manuela Ferreira Leite e Bagão Félix, Francisco Louçã, António Saraiva, Carvalho da Silva, Gomes Canotilho, Sampaio da Nóvoa, além de empresários e economistas, e pretende ser «um apelo de cidadãos para cidadãos», explicou o antigo ministro socialista das Obras Públicas João Cravinho, um dos subscritores.

Na terça-feira, o primeiro-ministro disse, por seu lado, que, se assinasse o manifesto para a reestruturação da dívida portuguesa, estaria a pôr em causa o cumprimento das metas orçamentais a que o país está obrigado e a enviar uma «mensagem errada».

Hoje em Paris, a ministra das Finanças admitiu em Paris que «o trabalho da OCDE tem sido extremamente útil para Portugal», no sentido de ajudar o país a «compreender quais são as reformas que são importantes».

«O trabalho da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) tem sido extremamente útil para Portugal nesta fase, de nos ajudar a compreender quais são as reformas que são importantes, como é que as devemos empreender, também em termos de avaliação das reformas», disse a ministra de Estado e das Finanças.

Na agenda da ministra em paris, está prevista uma reunião hoje de manhã do órgão máximo diretivo da OCDE, composto pelos embaixadores dos 34 países membros.

Maria Luís Albuquerque descreveu o encontro como «uma discussão aberta», em que terá oportunidade de intervir e «falar da situação de Portugal, da situação da Europa, trocar impressões sobre o ponto de situação das reformas, do caminho do crescimento».

A visita a Paris da ministra das Finanças portuguesa compreende ainda um encontro com o seu homólogo francês, Pierre Moscovici, na quinta-feira.